terça-feira, 12 de julho de 2016

Hipócrates (Hippocrate)

"Hipócrates" (2014) é a estreia do diretor e também médico Thomas Lilti, que conta de forma interessante o caminho árduo, mas muito gratificante de se tornar médico.
Benjamin planeja ser um grande médico. Mas, para seu primeiro treinamento interno nada sai como planejado. A prática é mais grosseira do que a teoria. A responsabilidade é enorme, seu pai, um dos diretores do hospital, é claramente ausente e o outro interno, o argelino Abdel, é um médico mais experiente do que ele. Benjamin, de repente, enfrenta os limites e medos, tanto os seus quanto os dos pacientes, das famílias, dos médicos e funcionários. Sua iniciação começa.
Hipócrates, considerado o pai da medicina, foi um pesquisador grego atrelado ao ramo da saúde, e assim como essa figura, Benjamim (Vincent Lacoste) é membro de uma família de médicos que passam seus conhecimentos de geração em geração. Só que Benjamim é um garoto perdido e que carrega um peso enorme por ser filho de um dos grandes médicos e administradores do hospital, Dr. Barois (Jacques Gamblin). Após terminar o curso ele logo é colocado de frente a grandes problemas, o hospital carece de equipamentos, leitos e sua ética é confrontada a todo instante. Não demora para que cometa uma negligência acarretando na morte de um paciente, mas, claro, seu pai o acoberta, daí por diante a medicina se descortina não mais de forma romântica. Ele não está apto para lidar com os pacientes e nem com os familiares destes.
Benjamim é desinteressante, não cativa o espectador, ele passa uma imagem de jovem mimado, sem propósito, sua personalidade não é delineada, mas é compreensível no contexto em que foi jogado. Seu pai não o enxerga, só quer que ele seja o médico que espera. A profissão ser passada de geração em geração sem ao menos saber se existe aptidão é comum em muitas famílias, isso é algo superficialmente retratado na história. Conforme o desenrolar Benjamim sente na pele as dificuldades, pensa em desistir, mas percebe que precisa superar e ir adiante.
Apesar do protagonista ser Benjamim, quem se sobressai é o residente Abdel Rezzak (Reda Kateb), um médico argelino experiente que se submete ao cargo para fazer carreira, ele é um personagem que abre espaço para outras questões serem abordadas, como o preconceito aos argelinos, o cuidado que precisa ter para ser aceito no país, e, principalmente, o acompanhamento do paciente visto com humanidade e não como um número. Em dado momento Abdel se dá mal ao realizar uma eutanásia, mesmo sendo um pedido da paciente e com consentimento da família, o filme também trata de maneira vaga problemas de administração e greves. Juntos Abdel e Benjamim são donos das melhores cenas, por exemplo, quando Benjamim pensa em desistir e diz que a medicina não é um trabalho para si, e Abdel completa dizendo que medicina não é trabalho, mas uma maldição.

O longa toca em pontos importantes e delicados, como o esquecimento do atendimento respeitoso e humano devido a sobrecarga de trabalho, a saúde sendo tratada como negócio e vidas sendo apenas contadas, além das burocracias e disputas de egos.
"Hipócrates" é um exemplar curioso sobre os bastidores de um hospital, pois traz à tona muitos questionamentos acerca da medicina pública, um assunto sempre urgente e que é pouco, ou quase nada retratado, pelo menos com todos os reais problemas que permeiam a profissão.

Um comentário:

  1. Mais uma boa dica.

    Muito do que vc comentou sobre o filme infelizmente é comum na vida real. A falta de sentimento de humanidade é comum em muitos médicos, que atendem os pacientes como se estes fossem um incômodo.

    Abraço

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