quinta-feira, 7 de julho de 2016

Floride

"Floride" (2015) dirigido por Philippe Le Guay (Pedalando com Molière - 2011) é um filme com tema difícil e doloroso, mas tudo é tratado de forma leve e graciosa. Retrata perfeitamente a realidade da pessoa que sofre com a perda de memória. O francês Claude Lherminier (Jean Rochefort) completou 80 anos e com o avançar da idade também vem os esquecimentos. Sua filha mais velha, Carole (Sandrine Kiberlain), enfrenta dificuldades para lidar com ele e tudo piora quando o pai toma a decisão de viajar à Flórida.
Claude é um industrial aposentado que mora em uma bela casa, porém a sua saúde mental está cada vez mais fraca, ele é um homem esperto, ágil, de temperamento chato e ao mesmo tempo engraçado, a sua filha está sobrecarregada com a empresa e pelo fato de que o pai não se satisfaz com nenhuma cuidadora, sua vida é toda dedicada ao trabalho e ao conforto do pai. Em dado momento ele acaba se afeiçoando a Ivona (Anamaria Marinca), que ao contrário das outras cuidadoras sabe como funciona a mente de Claude. Ele é instável e frágil em muitos momentos, mas sagaz em outros. 
Claude tem o pensamento fixo em sua filha Alice, que mora na Flórida, e que em breve irá visitá-lo, essa sua obsessão vai aumentando à medida que sua mente se desfaz. Carole prefere não contar a verdade sobre Alice ao pai, e por isso carrega uma tristeza e um peso enorme em sua vida, e ainda por vezes escuta insultos daquele de quem cuida com tanto carinho.
Não é agradável pensar na velhice, na fragilidade do corpo, na instabilidade da mente, as memórias passadas que se tornam o presente, o tempo se despedaçando. Claude tem flashes do passado, confunde, não entende. Aos poucos ele vai perdendo o que temos de mais precioso, as lembranças. É triste acompanhar o como ele enxerga tudo ao redor, a direção é magnífica, pois nos mostra exatamente essa confusão vivida na mente de Claude. 
O filme propõe a pensar no como o tempo devora tudo, e que muitas coisas que fizeram sentido a nós de nada vale no presente, ou que ter pessoas que nos amem verdadeiramente é o maior tesouro que podemos ter. O tempo é uma preciosidade. A atuação do veterano ator francês Jean Rochefort (86 anos) é sublime, maravilhoso em cada cena, diálogo, expressão, nos dá a perfeita noção do que é estar numa condição de dependência, de fragilidade, e ao mesmo tempo ter vontade de vida. A química entre Jean e Sandrine é linda e emocionante, Carole, a filha em nenhum momento pensa em deixá-lo numa casa especializada, ela luta o quanto pode até que não haja mais nada que possa ser feito.

"Floride" é um filme agridoce, sensível e muito familiar, todo mundo conhece ou convive com alguém que está nesta fase da vida, a velhice não é fácil, é repleta de agruras, mas também de descobertas que podem beneficiar a quem está por perto. Aproveitar o máximo de tempo que temos aqui, independente de qualquer coisa, essa é a grande aprendizagem. Somos tão frágeis e a vida é tão linda que não podemos perder tempo, como Claude diz: nem se desentendendo com as pessoas ou com o vinho.

Um comentário:

  1. É um filme que já estava na minha lista.

    O tema dos problemas da velhice está sendo bastante explorado pelo cinema nos últimos anos.

    Dos trabalhos de Jean Rochefort, gosto muito de "O Marido da Cabeleireira",

    Abraço

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