segunda-feira, 29 de junho de 2015

O Guerreiro Silencioso (Valhalla Rising)

"Valhalla Rising" de Nicolas Winding Refn (Drive - 2011) é um filme primoroso em todos os aspectos. Épico, hipnotizante e brutal.
A história se passa no século X. One Eye (Mads Mikkelsen) é um guerreiro mudo com forças sobrenaturais feito prisioneiro por Bardo (Alexander Morton), o cruel chefe de uma tribo. Tratado como um animal selvagem e mantido em condições deploráveis, ele é obrigado a participar em lutas mortais para diversão da população. Um dia, ajudado por Are (Maarten Stevenson), a criança que todos os dias lhe leva comida e água, mata os seus captores e escapa, levando Are consigo. Em fuga, os dois encontram Eirik (Ewan Stewart), o líder de um grupo de cruzados cristãos com destino a Jerusalém, que os acolhe. Durante a longa viagem pelos mares, em direção à Terra Santa, o navio onde seguem perde-se na neblina acabando por atracar num lugar sinistro. Ali, One Eye vai descobrir o mistério das suas origens e encontrar a redenção.
Dividido em seis capítulos, feito uma epopeia: Vingança, Guerreiro Silencioso, Homens de Deus, Terra Sagrada, Inferno e Sacrifício, é um longa para se apreciar cada detalhe, diferente dos épicos onde as batalhas são os grandes destaques, neste elas são rápidas e cruéis, o ar de mistério que envolve o protagonista causa fascínio ao espectador, o não saber nada sobre ele nos faz viajar em hipóteses, como por exemplo, pelas semelhanças, talvez seja Odin. É tudo rodeado por mistério, dúvida e medo do desconhecido, a mudança dos tempos é retratada de forma crua, gélida e silenciosa.
Mads Mikkelsen como One Eye carrega uma força, um poder assombroso sem dizer uma única palavra. É um guerreiro intrépido e invencível, sua aparência produz um efeito congelante e por muitas vezes vemos o como ele vê o mundo, sempre em tom vermelho, o que faz pensar no tanto de ódio que existe em si. Uma atuação impecável e muito diferente.
Não há muita ação, as cenas seguem lentamente e é preciso estar atento aos sinais, é um filme contemplativo, porém todas as vezes que a violência é inserida é de maneira brutal, selvagem. Destaque para a sequência em que os personagens se perdem rumo à terra santa, lugar que pensam ser deles por direito pelo fato de seguirem a cruz, a viagem parece interminável, as incertezas e o medo os engolem sob a forma de uma forte neblina, e quando finalmente chegam mais uma vez o desconhecido se faz presente. São atacados por uma tribo e pouco a pouco os personagens sucumbem.

"Valhalla Rising" é uma obra de arte, um deslumbre visual, onde há quadros perfeitos em que a natureza e o homem se encontram juntamente com um destino incerto. 
Extremamente interpretativo, ele permite vários tipos de leitura, inclusive uma metáfora sobre o cristianismo. Nada é explicado e mastigado para quem o assiste. É preciso estar acostumado a este tipo de cinema e gostar do tema. O embate entre pagãos e cristãos, os conflitos entre as diversas etnias, a mitologia nórdica e todo o mistério que envolve a idade das trevas. 
Deslumbrante em sua estética e interessante por sua abordagem,"Valhalla Rising" é para um nicho específico de espectadores. É para ser assistido mais de uma vez e se deparar com mais e mais simbolismos. 

Um épico atípico e assombrosamente silencioso. É também uma amostra da versatilidade do talento de Mads Mikkelsen, ameaçador e destemido One Eye sem sombra de dúvidas é um de seus personagens mais intrigantes. E claro, mérito do diretor Nicolas Winding Refn, que sempre traz filmes diferenciados ao grande público. 
"Valhalla Rising" tem elementos incríveis, mexe com o psicológico, principalmente pelas incertezas e o medo do desconhecido. Uma obra para ser vista com cuidado e com vontade!

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