quarta-feira, 29 de outubro de 2014

As Viagens do Vento (Los Viajes del Viento)

Ignacio Carrillo, um trovador que durante anos percorreu povos e regiões, levando a música com seu acordeão, toma a decisão de fazer uma última viagem, através de toda a região norte da Colômbia, para devolver o instrumento a seu mestre ancião, e assim nunca mais voltar a tocar. No caminho, encontra Fermín, um jovem cuja ilusão na vida é seguir seus passos e ser como ele. Cansado da solidão, Ignacio aceita ser acompanhado, e juntos empreendem o percurso desde Majagual, Sucre, até Taroa, além do deserto da Guajira, encontrando-se com a enorme diversidade da cultura do Caribe e vivendo todos os tipos de aventuras e encontros. Ignacio tratará de ensinar a Fermín um caminho diferente do seu, que tanta solidão e tristeza lhe trouxe, mas para isso terá que enfrentar o chamado de seu próprio destino que tem preparadas diferentes sortes para ele.
"As Viagens do Vento" transcende um mito, uma promessa a ser cumprida por um sujeito que tem um acordeão com chifres colados em cada uma das extremidades do fole, e que faz jus a seu apelido: acordeão do diabo. A jornada começa após a morte da mulher de Ignácio, a história é sobretudo, bela e muito pitoresca, e repleta de aventuras. Eles viajam juntos vastos territórios, inúmeros personagens se encontram, e cada situação enfrentada é apenas com o objetivo de regressarem ao proprietário do acordeão que foi amaldiçoado. As diversas áreas da Colômbia parecem esquecidas e perdidas. Andar para essas duas pessoas parece ser uma necessidade interna de encarar a si mesmos, um resgate de suas tradições.
Não há como não se deslumbrar diante as inúmeras apresentações de acordeão, disputas, brigas, experiências únicas, tal como a cena do garoto provando seu dom ao tocar o tambor, para poder ser batizado com sangue de lagarto. Outra sensacional é do duelo em que Ignácio toca, enquanto dois homens brigam com um facão. As travessias de paisagem, os tipos de pessoas diferentes que encontram conforme andam, o popular, a tradição, tudo é exposto em uma fórmula de libertação e de recomeço. São imagens majestosas que dizem por si só.
É minucioso, detalhista, e é muito gratificante poder contemplar cinema de qualidade. A magnitude das imagens, a procura de si mesmo sem saber o que vai encontrar. Como aconteceu com Fermín, ele seguia Ignacio porque queria ser como ele, mas nem tudo é tão simples assim. Um garoto perdido, andando à procura de seu ser. Esse é um caminho solitário, e é preciso que assim seja. Como no fim de sua jornada, que na verdade, estava apenas começando. Ignacio chegou a seu destino, não exatamente como previa, mas o destino tinha preparado algo para quando chegasse. Já Fermín estava apenas iniciando sua jornada.

A fotografia é impecável, a natureza resplandecendo sobre o homem, o ruído do vento demonstrando solidão, recolhimento, recomeço, enquanto Ignácio estava desencantado, Fermín tinha a vicissitude e o idealismo. É lindo ver a cultura, os ritos e tradições por cada lugar que passam, as músicas, as festas, tudo muito cativante. Um filme com identidade. E cada espectador o absorve de um jeito.
"As Viagens do Vento" é um longa maravilhoso que instiga nossa curiosidade ao mostrar uma Colômbia belíssima.

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