sexta-feira, 17 de maio de 2013

Nota de Rodapé (Hearat Shulayim)

"Nota de Rodapé" (2011) é um filme israelense dirigido por Joseph Cedar (Beaufort - 2007), e a história nos conta sobre Eliezer Shkolnik (Shlomo Bar-Aba), um acadêmico taciturno, minucioso pesquisador do Talmude (texto sagrado do judaísmo), que vê seu ego abalado pelo sucesso do filho Uriel Shkolnik (Lior Ashkenazi), que atua na mesma área que a sua. Uriel é prestigiado pela comunidade local, cuja gira em torno da Academia, enquanto seu pai amarga grande fracasso profissional, tendo como maior feito da carreira ter sido citado numa piedosa nota de rodapé de um respeitado livro sobre os estudos judaicos. Um dia, o reputado prêmio Israel liga ao senhor Shkolnik pai, pensando se tratar do Shkolnik filho, para anunciar a vitória do prêmio daquele ano. Numa confusão inacreditável, o filho terá de escolher entre deixar o prêmio com o pai, desde que abdique da possibilidade de ganhá-lo pelo resto de sua vida, ou contar a ele sobre o mal-entendido e devastá-lo de vez.
Com um roteiro simples "Nota de Rodapé" discute a relação entre pai e filho, a inveja e o recalque do pai em ver o filho com tanto sucesso, enquanto ele pesquisou e atuou na área há tanto tempo e nunca foi reconhecido. O que se percebe é que talvez Shkolnik pai não fosse tão bom quanto o filho é. Vemos a cena em que o pai dá uma entrevista porque foi nomeado para ganhar o prêmio de Israel e as perguntas giram em torno de seu filho, que é famoso por seus escritos, irritado o pai diz que ele é um vaso vazio e que não respeita  a origem e as escrituras do Talmude. Isso tudo desencadeia chateações, mas mesmo assim o filho não age de maneira vingativa. De certo modo, ele tem pena do pai.
O início do filme é regado a tensão, Uriel recebe um prêmio, enquanto o semblante de Eliezer demonstra um grande desconforto. Inegavelmente este filme é uma grande surpresa, uma comédia dramática excelente, cuja linguagem cinematográfica faz seu diferencial.
Eliezer tem um grande complexo de inferioridade, ele demonstra isso com frieza e distanciamento em relação a sua família. A tradição diz que os mais velhos são os donos da sabedoria, e numa religião tão forte como é o judaísmo fica difícil aceitar que o mais novo tenha razão. É o famoso conflito de gerações. A academia excluiu Eliezer a vida toda, o escondendo e desse modo nunca teve seu trabalho reconhecido, a única coisa importante que Eliezer já recebera foi uma menção em uma nota de rodapé, uma citação em uma publicação importante, isso era o que tinha, e nada mais, já seu filho ganhou notoriedade com suas pesquisas, porém seu pai o considera superficial.

Este filme mostra um grande dilema, porque traz sentimentos complexos em uma cultura que hoje se debate entre a tradição e a modernidade. O filme é até didático, pois vislumbramos a luta de poder na academia de Israel e toda a burocracia que existe em se eleger os laureados. Vale ressaltar a trilha sonora, que é bem diferente e dá um ar de filme americano antigo. É um longa muito detalhista e a história se desenvolve de forma agradável e em nenhum momento ficamos perdidos. O clima melancólico se mistura com o engraçado, tornando os personagens interessantes e ao mesmo tempo profundos.
A disputa de ego, a inveja e o recalque está exposto na figura do pai. O que nos faz ficar em dúvida em várias partes, às vezes nos gerando irritação e por vezes pena desse homem que o tempo fez ficar para trás. O final é sensacional, aliás o filme todo é bem elaborado, nos fisga pelo roteiro engenhoso e seus personagens tão completos. E graças ao teor cômico e um tom de humor ácido, o longa não se torna tão dramático. 

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