sexta-feira, 28 de setembro de 2012

360

Fernando Meirelles pode ser considerado o diretor brasileiro mais aclamado no exterior, devido sua personalidade eclética e suas experiências, que inclusive são ótimas. Lá fora fez o "Jardineiro Fiel", "O Ensaio Sobre a Cegueira", e agora "360", um filme sem fronteiras que abrange pessoas diferentes, com problemas comuns e que por vezes se encontram e unem seus caminhos. Especialmente ele mostra que nem todos precisam necessariamente falar o mesmo "inglês". Sem dúvida essa é a linguagem de um novo cinema, que pode ser mal compreendida, mas que é de uma expansividade única. Inovar é difícil, é necessário coragem e criatividade, e isso Meirelles e sua equipe tem de sobra.
O filme roda por diversos países, portanto, falado em inúmeros idiomas, os personagens são apresentados de forma cíclica de maneira muito delicada. O elenco é sublime, Anthony Hopkins, Jude Law, Rachel Weiz, e os brasileiros Maria Flor e Juliano Cazarré. A trama não é perfeita, há algumas coisas que ficam no ar e não se encaixam, mas quem disse que tudo na vida tem encaixe?
Blanka, uma prostituta de luxo é rejeitada por Michael, sem querer, acaba por desencadear uma série de acontecimentos que afetarão a vida de pessoas que nem sequer conhece. Jude Law e Rachel Weiz fazem o típico casal que vive de aparências, pode acontecer qualquer coisa, os dois continuarão juntos, para não manchar suas reputações. Sua mulher tem um caso com o personagem de Cazarré, que é namorado de Laura (Maria Flor), ela descobre a traição e decide ir embora pro Brasil. No avião conhece o velho que Anthony Hopkins interpreta, ele sofre pelo desaparecimento da filha, e entre ressentimentos e amarguras os dois se tornam amigos. Aí por conta do tempo o voo atrasa no aeroporto que faz escala para seus destinos, Laura por acaso dá de cara com Tyler (Ben Foster), um agressor sexual recém-saído da cadeia, e flerta com ele sem saber da situação. Já ele faz de tudo para não voar no pescoço de Laura, mas surpreendentemente acaba se controlando. Há outros personagens, na França um casal que não consegue mais se entender, a mulher está apaixonada pelo seu patrão, esse também apaixonado por ela, mas nenhum dos dois sabem, o marido, um russo que trabalha para um homem de má índole é de repente o foco, pintado como um homem ruim, a história agora é vista sob seu olhar, ele dirige rumo a seu patrão, que tem um encontro com Blanka, a prostituta, e o que vemos é o contrário do que sua mulher disse, Sergei é um homem bom, que só precisava de um incentivo a mais para sair daquela vida, e o incentivo veio da irmã de Blanka, que estava sentada em um banco esperando a irmã terminar o programa. Nisso se dá algumas situações e decisões. E tudo termina aonde tudo começou...

As histórias são intensas e envolventes, mas muita coisa poderia ter sido bem mais explorada, alguns personagens se tornaram efêmeros na trama, mas isso não diminui a obra no geral. Interessante observar que o roteiro preza para que não haja julgamentos, são pessoas normais tentando acertar, e que inevitavelmente erram em alguns momentos de suas vidas, são olhares diversos em ótimas sequências que nos conduzem por histórias comuns, e que às vezes não são o que parecem ser.
"360" é um filme sobre escolhas e o que elas podem desencadear, e que mesmo que não saibamos elas podem afetar outras vidas. São ciclos que se abrem e se fecham.

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