quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Faca no Coração (Un Couteau Dans le Coeur)

"Faca no Coração" (2018) dirigido por Yann Gonzalez (Os Encontros da Meia-Noite - 2013) é uma produção francesa um tanto inusitada e original, chama bastante a atenção seu estilo kitsch, há muito mistério, erotismo e pitadas de slasher, para os fãs de cinema cheio de cores e que ressalta a fotografia sem dúvidas é um exemplar irresistível.
Final da década de 1970, em Paris. Anne (Vanessa Paradis) é uma produtora de filmes pornográficos que sofre com o término de seu relacionamento com a montadora Lois (Kate Moran). Os negócios não andam bem, e são ainda mais prejudicados quando um estranho assassino mascarado começa a atacar seus principais atores. Revoltada com a passividade da polícia, Anne começa a sua própria investigação, e tem uma ideia genial: reencenar as mortes em versão pornô. 
Anne, vivida pela fascinante Vanessa Paradis - ícone pop da França, produz filmes pornográficos super criativos com ajuda do seu braço direito Archie (Nicolas Maury), mas as coisas vão de mal a pior, além de estar passando por uma fase complicada em seu relacionamento amoroso com Lois, sua montadora, um misterioso assassino mata um dos seus atores mais queridos, só que ao invés de se preocupar seu processo criativo se reacende e imagina as histórias com base nisso, a atmosfera fetichista domina a trama e tem até um quê de conto de fadas em muitos momentos. O assassino se torna uma espécie de especialista em matar atores pornôs, a dúvida permanece conosco o tempo todo e nada do que se deduz acontece, a explicação final é elaborada, assim como os filmes que Anne produz. As mortes são belamente filmadas e a figura do assassino gera bastante desconforto, seus ruídos e a maneira que crava a faca nas suas vítimas. Anne segue não se importando, fala com a polícia, que também não investiga de acordo e assim o serial killer tem espaço para agir. Ela está interessada na sua obra que reproduzirá os assassinatos e acredita que será o seu melhor trabalho, inclusive acompanhamos todo o processo de "Homocida", que diga-se de passagem são cenas hilárias e também sensuais, não há pudor em exibir os corpos e o sexo, sem ser claramente explícito, mas estimulante ao colocar os sons para ativar a nossa imaginação. A ambientação da época é primorosa e faz referência a clássicos, como Dario Argento, o figurino, as cores e a trilha sonora cósmica também são pontos de destaque e criam um todo singular e interessante.

A história vai te levando para lugares incomuns e surpreendentes, quando Anne decide iniciar uma investigação por conta própria surgem elementos fantásticos e então há uma mudança e uma virada, as descobertas aparecem e finalmente o todo se amarra na estreia do seu filme dentro de um cinema num clube gay.
O universo LGBT é maravilhosamente bem representado, sua diversidade e nuances, os elementos, nada fica de fora, um retrato diferente do usado em tantos filmes, tudo isso misturado a uma trama que envolve amor, sexo, traumas e morte, um obra livre que homenageia e faz diversas referências, como ao gênero Giallo.

"Faca no Coração" tem uma estética primorosa com roupas coloridas e ambientes com luzes néon, sua trilha composta por M83 é bastante magnética e pontual, e seu mistério permanece e só descobrimos a face do assassino e sua motivação realmente no fim. Um suspense erótico underground e fetichista com pitadas de slasher, humor negro e até fantasia. Uma experiência pulsante e ousada!

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