sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O Lamento - The Wailing - Goksung

"O Lamento" (2016) dirigido por Hong-jin Na (O Caçador - 2008) é mais um exemplar da exímia capacidade dos sul-coreanos em compor thrillers. É um filme que exige um pouco de atenção, tanto por ele aparentar ser confuso e por ser repleto de camadas, como também pela sua longa duração. Mas, inevitavelmente, ao fim o choque que ele causará irá compensar e muito a experiência. 
A chegada de um misterioso estranho (Chun Woo-hee) em uma aldeia tranquila coincide com uma onda de assassinatos cruéis, causando pânico e desconfiança entre os moradores. Quando a filha do oficial de investigação Jong-Goo (Kwak Do-won) cai sob a mesma magia selvagem, ele chama um xamã (Hwang Jung-min) para ajudar a encontrar o culpado.
Ambientado em Goksung, aldeia pacata aos arredores de Seul, um local que emana algo de misterioso e tenso, de repente se transforma num verdadeiro caos quando pessoas começam a ter acessos de fúria e loucura e matam seus próprios familiares. Para investigar os casos o atrapalhado e preguiçoso Jong-Goo entra em cena, ele nos conduz a esta intricada trama e de modo histriônico vai se aprofundando nas questões que podem estar envolvidas, Jong-Goo desconfia de um estranho japonês que mora só no meio da floresta. As coisas pioram quando a filha do policial parece estar possuída por algum espírito maligno, aí entra a figura do xamã para tentar a livrar disso e também para descobrir o que está acontecendo.
O filme retrata fortemente o mal, são variadas as suas facetas, ele pode surgir em qualquer ocasião e de incontáveis formas, se chegar muito perto dele, talvez seja contaminado, e se ainda tentar eliminá-lo, será consumido. O aspecto místico e religioso está inserido, um pedaço da cultura oriental com representações de guardiões e demônios e tantas outras superstições. 

"Mas atemorizados, pensavam que viam algum espírito. Ele, porém, lhes disse: Por que estais perturbados? Olhai as minhas mãos e os meus pés, apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne ou ossos, como vedes que tenho."

"O Lamento" tem uma narrativa complexa, porém vamos aos poucos descobrindo esses personagens com características ambíguas e decifrando os enigmas da trama, o diretor prima pelas reviravoltas e surpreende o espectador quando tudo parece se esclarecer, ele vai introduzindo cada vez mais perguntas sem respostas, no que desconcerta à medida que a história avança. É um filme imersivo que traz à tona uma incrível quantidade de simbolismos. 
Por ter uma cadência lenta e ser longo às vezes se torna enfadonho, mas nada que comprometa. Outro ponto é o humor que acaba dispersando a atenção, aliás são diversos os subgêneros na trama, mas no decorrer sempre há um lembrete de que é um terror/horror, os elementos utilizados instigam e não são poucas as cenas em que a brutalidade está presente.

A sensação que o filme causa é poderosa, o mistério, o horror atmosférico, as perguntas, o jogo que é feito conosco é sarcástico. 
Um dos maiores pontos a se destacar é a mudança do personagem principal, ele começa como um policial bonachão e vai se transformando, ganhando nuances, um ser humano dúbio que bambeia na linha tênue que separa a justiça da vingança.
"O Lamento" é permeado de cenas interessantes e que contêm pistas, é preciso estar imerso na trama para compreender, por exemplo, na cena de abertura, o japonês pescando com dois anzóis já é um aviso. Um grandioso filme feito para rever e cada vez mais formular interpretações. 

Um comentário:

  1. Mais uma dica interessante de filme que eu não conhecia.

    Realmente o cinema da Coreia do Sul é pródigo em thrillers.

    Gostei de filmes como "Memórias de um Assassino", "Mother" e "Eu Vi o Diabo".

    Abraço

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