quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Michael Kohlhaas - Justiça e Honra (Michael Kohlhaas)

"Michael Kohlhaas" (2013) dirigido por Arnaud des Pallières (Parc - 2007) é uma adaptação da obra homônima, lançada em 1810, de Heinrich Von Kleist, onde aborda questões políticas da época, as injustiças cometidas pela nobreza e também pela igreja. O tema é a honra e retrata que a linha que separa a justiça da vingança é muito tênue, o bom cidadão na ânsia de reparar a sua dignidade não demora a ser corrompido pela maldade.
No século XVI, na região de Cévennes, no centro-sul da França, vive o vendedor de cavalos Michael Kohlhaas (Mads Mikkelsen). Ele tem uma vida tranquila e próspera, até sofrer uma grande injustiça de um nobre poderoso. Michael, homem religioso e íntegro, não vai medir esforços para conquistar novamente sua honra, mesmo que seja preciso iniciar uma guerra por todo o país.
O barão (Swann Arlaud) que diz ter permissão da rainha quer que Kohlhaas entregue a seus homens dois de seus melhores cavalos como garantia, já que ele não tem documentação para entrar nas terras, logo fica sabendo que foi enganado e que seu amigo Cesar (David Bennent) foi atacado pelos cães do barão, ao reaver seus animais os encontra em um estado deplorável, indignado recorre à justiça, mas o barão usa de sua influência e vence o caso, Kohlhaas sente a necessidade de ter sua honra restaurada e quando decide apelar para a rainha, sua esposa dá a ideia de que ela vá e peça, já que diante de uma outra mulher, talvez compreenderia a situação. Mas dá tudo errado e sua esposa é assassinada, aí Kohlhaas cego por todas as injustiças monta um exército e vai à guerra.
Por onde ele passa deixa rastros de morte, o que era para ser apenas a recuperação de seu sustento, desencadeia numa luta de classes. Em dado momento os homens de Kohlhaas não sabem mais porquê estão lutando, fica evidente que a exagerada vontade dele vencer é algo pessoal e não necessariamente tratar das representações de poder.
A violência chama a atenção da princesa que propõe anistia, mas com a condição de que cessem o caos. Desfaz o exército, porém o descontrole já havia sido instaurado e mais uma vez se vê envolto em intrigas e traições, quando menos espera é preso e o desfecho surge de maneira dúbia, conseguindo a tão almejada justiça para si e sua filha, a devolução de seus cavalos em estado impecável, mas ao mesmo tempo condenado à morte.

"Você vive tanto pelo amor como pelo medo que você inspira. Se inspirar apenas medo todo mundo despreza você. Só o amor, é sinal de fraqueza."

Mads Mikkelsen como Kohlhaas é magnífico, contido e ambíguo, uma figura imponente que desperta sentimentos variados. Friamente observamos as suas ações, honra e justiça acaba se tornando apenas vaidade.
A narrativa é lenta e tensa, as cenas enfatizam a beleza do local e mesmo sendo uma obra simples tem um quê de épico. Kohlhaas coloca tudo a perder em busca de vingança, um meio de acabar com as injustiças do império. O protagonista se vê em dúvida em muitos momentos sobre suas decisões e segue até o fim nessa dualidade.

Um comentário:

  1. Mads Mikkelsen é um dos melhores atores europeus que surgiram na última década. Ele interpretou outros grandes papéis como em "A Caça".

    Abraço

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