quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O Retorno do Idiota (Návrat Idiota)

"O Retorno do Idiota" (1999) dirigido por Sasa Gedeon é um filme tcheco inspirado livremente na personagem da obra "O Idiota" de Fiódor Dostoiévski.
Olga (Tatiana Vilhelmová) ama Emil (Jirí Langmajer), que ama Anna (Anna Geislerová), que ama Robert (Jirí Machácek). O Idiota ama todo mundo. E esse é o seu problema. Ele ama a todos, na mesma proporção. Frantisek (Pavel Liska), o Idiota, não conhece quase nada e nunca experimentou muita coisa. Ele passou grande parte de sua vida em um hospital psiquiátrico, assim tem uma visão muito simples do mundo. Agora está de volta para seus parentes, embora eles não saibam de sua existência. São pessoas que só conhecem sua própria vida e suas relações, que são tão complicadas e enredadas que acabam por afetar Frantisek. Conflitos entre irmãos, amantes e casais são presenciados por ele, em situações estranhas mas às vezes cômicas. Com seu olhar ingênuo, ele é o único a entender essas pessoas, que aparentemente se importam apenas com sua própria felicidade. Apesar de ver de perto as manobras, traições e revelações dolorosas que envolvem a família, ele não julga as atitudes e sentimentos de cada um deles. Porém, somente aquele que for capaz de compreendê-lo, poderá ser capaz de ajudá-lo a... retornar.
O filme é uma comédia reflexiva sobre os problemas humanos, as relações, as hipocrisias, as infelicidades, a perda de sentido na existência. Frantisek por sempre ter vivido afastado da sociedade se deslumbra com pouco, e por inspirar inocência e bondade gera esperança, mas provoca também irritação e piedade. Mas ao observar as situações que se desenrolam, pensamos seriamente quem é realmente o louco.
A fragilidade das relações humanas e os vínculos familiares são vistos sob um ponto de vista ameno e generoso. Sua família praticamente desconhece a sua pessoa, aliás nem nos damos conta de que ele faz parte dela, a história vai nos tragando pelo enredo que entrelaça amorosamente os personagens e ao fim todos são enredados pela confusão, sobrando, claro, para o idiota. A surrealidade faz parte de muitos momentos e os elementos cômicos só enfatizam sentimentos pequenos e mesquinhos que o ser humano se acostumou a sentir. 
O filme demonstra o desespero sob uma ótica mais leve, o personagem dotado de bondade e pureza vai experimentando a vida em sociedade, trata todos com compreensão e jamais julga-os, e é exatamente por esse seu comportamento que é chamado de idiota.

Raro é encontrar pessoas como Frantisek, que não se deixam corromper, geralmente não as encontramos, pois estão muito bem escondidas em seus hospícios.
Loucura é viver em meio a hipocrisias, círculos viciosos, aparências, ganâncias, a existência se torna pesada e esquece-se das coisas simples, de se satisfazer com o que somos, de ser gentis e ampliar o olhar perante a vida. 
"O Retorno do Idiota" exibe uma linguagem interessante, traz sentimentos densos mas alivia com a comicidade, assim refletindo sobre os males da existência.

"No amor abstrato para com a humanidade, não se ama a ninguém, e sim a si próprio."
                                                                                           - O Idiota, Dostoiévski

Um comentário:

  1. A questão do mundo visto pelos olhos de uma pessoa ingênua lembra também o ótimo "Muito Além do Jardim" com Peter Sellers.

    Abraço

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