terça-feira, 8 de março de 2016

Homesick (De Nærmeste)

"Homesick" dirigido por Anne Sewitsky (Happy, Happy - 2010) trata de um tema tabu, o incesto. É um tanto complicado mexer em tal assunto, mas em nenhum momento os conflitos importantes em relação a isso surgem, e talvez, o filme possa ser encarado apenas como um romance melancólico. É notável que os personagens sejam desprovidos de afeto e isso é o fator primordial para o desencadeamento dos acontecimentos. Portanto, o incesto é um pano de fundo para retratar essas deficiências afetivas. 
Charlotte (Ine Marie Wilmann) tem 27 anos e é professora de balé, a relação com a mãe é distante e o pai definha no hospital, seu único elo é sua amiga Marte (Silje Storstein - O Mundo de Sofia, 1999), Charlotte é uma pessoa de extremos e parece invejar a amiga. Tudo muda quando decide se aproximar de seu meio-irmão Henrik (Simon J. Berger), este encontro torna-se algo sem limites, eles dois não tem ideia do que é ter uma família normal. Como pode um amor fraternal se manifestar se você nunca o experimentou antes?
A mãe escondeu de Charlotte que abandonou o filho quando pequeno, Henrik por várias vezes diz que a vida da irmã era pra ser sua. São traumas que perturbam e os encontros que era para ser um acerto de contas terminam na cama. Ine Marie Wilmann como Charlotte carrega todo o filme nas costas e se desdobra para compor sua personagem. Ela é uma mulher de complexos, a amizade entre ela e Marte demonstra o quão doente sentimentalmente é. Chega a dar pena dela, é uma busca por aceitação e Henrik se deslumbra ao vê-la, pois mesmo tendo formado uma família parece incompleto e o novo sempre acaba gerando a ilusão de preenchimento, essa relação permite isso a eles. As cenas de sexo são esteticamente impecáveis, eles transam sempre de maneira selvagem, à medida que o relacionamento deles avança a insanidade aumenta. Henrik larga tudo e Charlotte tenta se desvencilhar do namorado, aliás ela se mantém afastada de todos. 
O filme tem cenas lindas, como a dança inicial em câmera lenta, e outras intensas, como a cena em que eles se batem. É difícil definir que sentimento se sobressai entre eles, o fato de serem irmãos não quer dizer nada, pois é apenas um laço sanguíneo, não houve qualquer convivência, são pessoas estranhas. 

O tema é espinhoso e promove bastante discussão, mas a diretora utilizou um tom elegante e não questiona ou julga o incesto, a ênfase está mais na solidão de cada um.
"Homesick" é o tipo de filme que não agrada a maioria por ter o incesto como tema, mas a verdade é que a história traz de forma delicada o como é complicado lidar com a carência afetiva, a relevância de laços familiares e a solidão.

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