segunda-feira, 28 de maio de 2018

Trama Fantasma (Phantom Thread)

"Trama Fantasma" (2017) dirigido por Paul Thomas Anderson (Vício Inerente - 2014) é um filme grandioso que proporciona variados olhares e sentimentos sobre a trama, é elegante e charmoso, mas também desperta repulsa e antipatia, são opostos que se unem com total perfeccionismo, assim como os personagens e a obsessão que vai penetrando e se acomodando sorrateiramente.  
Década de 1950. Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril (Lesley Manville), para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que constantemente entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma (Vicky Krieps), que vira sua musa e amante.
Reynolds Woodcock é um alfaiate de luxo, confecciona vestidos divinos para a altíssima sociedade britânica, está acostumado com todos a seus pés e tem como apoio a irmã Cyril, que administra tudo ao seu redor, Reynolds é metódico e machista, a figura da mãe é um fantasma que o rodeia, as mulheres entram e saem de sua vida como pedaços de panos, quando enjoa pede para sua irmã dar um jeito, sempre se mostra altivo e seguro de si e é fácil criar antipatia por ele, seu modo de olhar e suas manias avançam para o espectador de forma áspera, a cada gesto e olhar do personagem é muito importante para desvendá-lo. Quando conhece Alma, uma garçonete, se encanta e encontra nela o modelo perfeito para a sua arte, Alma não é boba e entende as aspirações dele, o admira por isso e logo está instalada na grande casa servindo como modelo para os vestidos e participando daquele mundo permeado de inspirações e muito trabalho. Reynolds não para um segundo, está sempre fazendo esboços e criando, no período da manhã não pode haver sequer um ruído, tudo é regrado e organizado, Alma se insere rápido nesse meio e não faz nenhum tipo de objeção, ela se entregou aos caprichos do artista e vai nutrindo sua paixão que nunca é suprida, ele é um homem impenetrável enquanto cria e não permite que sentimentos o atrapalhe, e então Alma percebe que precisa tê-lo indefeso, como quando uma criança adoece e necessita da mãe. Só assim ele a observará de outro ponto de vista e saciará as suas necessidades. É uma troca um tanto absurda, mas é dessa maneira que encontram equilíbrio, Alma cuida e derrama todo o seu amor para Reynolds ressurgir forte novamente. 

Alma dá indícios de sua personalidade logo no início, se entrega facilmente aos desejos de Woodcock, seu semblante aparentemente simples esconde inúmeros complexos, mas Woodcock lhe dá uma outra visão de si mesma e ela se apega a esse olhar, sabe que seu intuito é usá-la até quando enjoar, mas ela também está disposta a usá-lo e desvendar seus segredos, Reynolds em determinada parte diz que desde pequeno aprendeu a esconder segredos nas bainhas dos vestidos, mas Alma o descobre frágil e dependente e assim consegue tê-lo para si, Woodcock gosta dos cuidados dela nesse período, há algo de materno nessa relação, uma cumplicidade única.
É um filme de muitas camadas e de muitas belezas, aguça nosso olhar diante dos detalhes, a composição impecável dos personagens hipnotiza, Daniel Day Lewis - inspirado no estilista espanhol Cristóbal Balenciaga - incorpora um homem charmoso e de extremo talento, metódico se debruça ao trabalho e não dá espaço para relações justamente por receio de que suas inspirações parem, Alma o desestrutura, mas descobre uma maneira de aquietá-lo e de tê-lo precisando dos seus cuidados. Alma é uma personagem bastante interessante, é simples e ao mesmo tempo altiva, devotada de um jeito singular. 

"Trama Fantasma" é requintado e original, retrata o sofisticado mundo da moda da alta classe britânica dos anos 50, os vestidos também são personagens e garantem o espetáculo, todo o processo de confecção esbanja delicadeza e devoção, o aspecto psicológico intriga e há pitadas de humor negro, tudo se desenvolve sutilmente e abarca um apanhado de reflexões, são personagens repletos de nuances e que aos poucos vão sendo desvendados. A trilha sonora composta por Jonny Greenwood é outro ponto que engrandece a obra e nos arrebata. 

Um comentário:

  1. Gosto dos filmes do diretor, com exceção do último "Vício Inerente" que achei arrastado e confuso.

    Este novo apesar de ser a despedida de Daniel Day Lewis, a história não me chama a atenção.

    Por enquanto deixarei passar.

    Abraço

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