quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Um Deslize Perigoso (Dope)

"Dope" (2015) dirigido por Rick Famuyiwa (Confirmation - 2016) trata com bom humor os estereótipos vigentes, todos os clichês exibidos têm o propósito de reflexão mesmo com um tom de comédia, o filme apresenta questões importantes sobre a sociedade atual.
Malcolm é um nerd que leva a vida em um bairro violento em Los Angeles enquanto se desdobra nas admissões das faculdades, entrevistas acadêmicas e provas de conhecimento. Malcom recebe um convite para ir em uma festa underground que o leva em uma aventura, permitindo que ele se transforme de nerd à narcótico, para, finalmente, ser ele mesmo.
Toda a aura do filme faz referência aos anos 90, o visual dos personagens, as músicas, especialmente o rap americano, a aventura faz parte da narrativa e o trio de amigos passam por inúmeras situações negativas, mas tiram proveito e ganham experiência. Eles vivem em um local permeado pela violência e que parece não haver outro caminho a não ser as drogas, Malcom (Shameik Moore), Jib (Tony Revolori) e Diggy (Kiersey Clemons) são geeks e querem um futuro diferente, eles também tocam em uma banda que esporadicamente aparece na trama. A inadequação deles no meio em que vivem é gritante e tudo contribui para que percam o rumo. Quando o traficante do bairro, Dom (A$AP Rocky) os convida para uma festa, Malcom decide ir por causa de Nakia (Zöe Kravitz), namorada de Dom. Nesta festa acontece um tiroteio e no dia seguinte a mochila de Malcom está lotada de drogas. Com Dom preso, eles são perseguidos por traficantes rivais, enquanto isso um amigo os ajuda a vender a droga, e por coincidência o avaliador de faculdade de Malcom está metido nesta história também, o que o faz querer desfazer da droga vendendo pela internet pelo sistema de Bitcoin.
Leve e divertido, "Dope" não se aprofunda politicamente na trama, mas reflete o racismo atualmente e ainda quebra estereótipos, Malcom, por exemplo, apesar de viver em um ambiente pesado deseja ir para Harvard e fará com que isso se concretize.
O figurino é um charme e ajuda na descaracterização, a trilha sonora é outro ponto forte que traz ainda mais a sensação de nostalgia, conversa perfeitamente com as situações e confere originalidade, o filme tem tema atual mas tem espírito de anos 90, existem os clichês, mas são usados a favor e de forma inteligente, fazendo com que o espectador tenha a chance de refletir sobre os julgamentos que se faz somente pela aparência, local de origem, etc.

A linguagem moderna diz o essencial e desconstrói estereótipos. Comédia e crítica social se mescla agradavelmente.
O discurso final de Malcom - que quebra a quarta parede - é excepcional e um belo tapa na cara, exprime com exatidão e bom humor todo o pré-julgamento que as pessoas fazem com as outras. 

"Na minha vida, sempre me achei entre quem realmente sou... e como sou percebido, entre categorias e definição. Eu não me encaixo. E eu achava que isso era uma maldição, mas... agora começo a ver... talvez seja uma benção. Quando você não se encaixa, é forçado a ver o mundo de vários ângulos e pontos de vista. Ganha conhecimento, lições de vida de muita gente e lugares. E essas lições, para o bem ou para o mal, me moldaram. Então, quem sou eu?"

2 comentários:

  1. O roteiro acerta também ao mostrar que o preconceito existe de várias formas. Os jovens protagonistas sofrem por agirem diferente dos seus semelhantes de bairro.

    A leveza como a história é contada é outro ponto alto.

    Abraço

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  2. Apesar de bem intencionado, o filme é fraco. Fica a meio caminho entre um sessão da tarde e Spike Lee.

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