quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Orador (O Le Tulafale)

"O Orador" (2012) de Tusi Tamasese reflete sobre tradições fincadas nos princípios do amor e do respeito, é um curioso retrato sobre a cultura samoana.
O filme conta a história do agricultor Saili e sua família que procuram viver em paz, e para isso evitam, ao máximo, o contato com outras pessoas de sua vila. Porém, diversos acontecimentos o obrigarão a assumir seu papel de líder. Quando uma tragédia se abate sobre sua família, Saili deve superar suas dificuldades físicas e sociais e impor-se, rompendo sua invisibilidade social e conquistando o respeito de sua comunidade.
As ilhas Samoa fica no sudoeste do oceano pacífico, a meio caminho entre o Havaí e a Nova Zelândia, definitivamente um pontinho perdido no meio do oceano pacífico, e sem dúvidas um lugar belíssimo por sua natureza e interessante por suas tradições. É o primeiro longa-metragem vindo de lá e uma ótima oportunidade de conhecer a cultura local, assim como as suas belezas. Falado no idioma samoano o longa é um drama contemporâneo sobre honra, coragem e questões de superação. Saili (Fa'afiaula Sanote) é um anão agricultor casado com uma mulher que foi banida da família, ela não pode frequentar os lugares e portanto se mantém afastada em um casebre isolado da aldeia juntamente com sua filha Litia (Salamasina Mataia), uma adolescente como qualquer outra a descobrir as novidades da vida. Em dado momento ela se envolve com um homem casado e termina por engravidar. Vaaiga (Tausili Pushparaj) é uma mulher calma e que está muito doente, o tempo todo a vemos fazendo artesanatos.
A terra é muito importante para eles, é passada de geração em geração, e a morte é algo que não existe, os seus parentes são enterrados no quintal de casa para que continuem de algum modo ainda vê-los. Os antepassados tem grande peso sobre a família, há muito respeito por aqueles que se foram. A religião é muito cultivada e todos seguem corretamente os horários de cada oração. O perdão é outra coisa abordada no longa, existe um ritual em que a pessoa se ajoelha na frente da casa coberta por um manto até que seja perdoada.
Há muita ternura no personagem, um lado quase inocente em percorrer pela vida. A simplicidade rege o seu caminho, mas a coragem vai crescendo dentro dele devido as circunstâncias. Saili precisa arranjar forças quando sua esposa morre, pois o irmão leva o corpo a fim de enterrá-la com os seus, mas isso é injusto e Saili necessita ganhar voz e se tornar um orador, o que só o chefe da aldeia pode conceder, e assim poder ir formalmente em nome de sua comunidade até a família de Vaaiga e conseguir a permissão para ficar com o corpo dela. Uma das cenas mais emocionantes é quando Saili cava o buraco no quintal de sua casa do qual enterrará sua mulher e acaba por ficar preso lá sob uma pesada chuva, quem o salva é Litia, que até então não gostava dele, também é ela que o segue quando ele se torna orador, aliás a única. Esse momento é sublime e demonstra amor, honra e coragem.

"O Orador" é um filme tranquilo, silencioso e que traduz muito bem a cultura da Samoa. As coisas são ditas quando precisam ser ditas, não há desperdício de palavras, tem até um diálogo entre mãe e filha que diz assim: "Uma pedra pode apodrecer, mas as palavras não. As pessoas falam muito." Isso exemplifica o quanto de valor eles dão para o que se é dito, por isso existem os rituais de perdão e de oratória, para que se aprenda a usar o dom da fala de maneira adequada.
Refletindo valores, cultura e tradições, é uma linda obra vinda desse paraíso perdido!

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