terça-feira, 18 de agosto de 2015

Kumiko, a Caçadora de Tesouros (Kumiko, the Treasure Hunter)

"Kumiko, a Caçadora de Tesouros" (2014) dirigido por David Zellner (Kid-Thing - 2012) é uma fábula moderna que conta a história de uma moça solitária e ingênua que transforma sua vida comum e banal numa odisseia rumo a um suposto tesouro. É um filme lento, com poucos diálogos, mas muito interessante e curioso, no fundo nada mais é do que a velha história do sonho americano, de que lá na terra do tio Sam tudo pode ser possível.
Uma solitária japonesa convence-se de que uma sacola de dinheiro enterrada em um filme de ficção é, de fato, real. Abandonando sua vida estruturada em Tóquio para ir viver na região congelada e selvagem de Minnesota, ela embarca em uma busca impulsiva para procurar sua mítica fortuna perdida. Baseado na lenda urbana envolvendo a misteriosa morte de Takako Konishi, que surpreendida pelo filme "Fargo" (1996) dos irmãos Coen, resolveu ir encontrar o tesouro enterrado pelo personagem de Steve Buscemi.
No filme Takako é Kumiko, vivida pela linda Rinko Kikuchi (Norwegian Wood - 2010), sua personalidade é um tanto peculiar, é quieta e reclusa em seu próprio mundo, sua vida se resume a trabalhar numa pequena empresa como office lady servindo um chefe pouco amigável, seus dias são tediosos, mas ela tem um fascínio exclusivo que é encontrar tesouros, no início a vemos numa praia e ao adentrar uma caverna acaba encontrando um VHS bem surrado do filme "Fargo". Daí ela o leva pra casa e assiste, o aviso inicial que diz que a história é baseada em fatos reais a deixa interessada, e ao ver uma maleta cheia de dinheiro ser enterrada começa a fazer anotações com detalhes do local. Obcecada pausa diversas vezes, até que o videocassete mastiga a fita, irritada compra um aparelho DVD e o filme, então dá seguimento ao seu plano de fugir para a gélida Fargo, em Minnesota. 
Constantemente Kumiko é indagada pela mãe sobre arranjar um marido e ter filhos, seu chefe também a questiona, pois já está velha para continuar em seu emprego, ela é distante de todas essas convenções sociais, seu desejo de vida passa longe disso tudo. Talvez, seja medo de encarar a realidade, suas tentativas de socialização são frustrantes e sua única companhia até partir é Bunko, um coelhinho. Tímida, misteriosa e obsessiva, assim é Kumiko.
A Tóquio retratada também é diferente, somos conduzidos pela periferia de pequenos bairros, onde a simplicidade reina. Pode-se dividir o filme em dois: Kumiko e seu casaco vermelho numa Tóquio cinzenta e Kumiko e seu poncho feito de edredom na brancura gélida de Fargo. Nessa parte a fotografia é exuberante, são planos belíssimos no meio do nada. Kumiko ao mesmo tempo que vive presa em seu mundo é livre e corajosa ao ir de encontro ao seu sonho. Ela é aquele ser que vê além, sua ingenuidade a ajuda de certa forma, sem ela jamais seria possível acreditar e seguir em frente. Quantas vezes desejamos fugir pensando encontrar tesouros escondidos e somos travados por nossa consciência? 

"Kumiko, a Caçadora de Tesouros" é um filme melancólico que frisa que quando o negócio é ir atrás do que sonha nada e nem ninguém pode fazer você parar, independente do que seja. O longa se assemelha com "Nebraska" (2013), que retrata um velhinho ranzinza que ao receber um panfleto que diz que ganhou 1 milhão de dólares decide colocar o pé na estrada e seguir até Lincoln, onde poderá receber o prêmio. As histórias são diferentes, mas a ingenuidade e a persistência dos personagens faz com que essas duas obras se pareçam.
A misteriosa Kumiko encanta e nos faz refletir bastante sobre a vida e o quanto de valor damos para o que queremos realmente. É um belo exemplar do cinema independente americano!

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