domingo, 31 de dezembro de 2017

10 Melhores Filmes de 2017

As listas dos melhores do ano estão pipocando por aí e muitos filmes são unanimidades entre elas, mas sempre um ou outro fica de fora, a quantidade de longas com qualidade lançados esse ano foi grande e infelizmente não dá para assistir todos, então garimpando os filmes que vi desse ano selecionei 10 que merecem o posto na lista, são obras primorosas e que garantem satisfação ao espectador. A lista foi concebida por puro gosto e experiência pessoal e está em forma de Ranking.

10- "Em Ritmo de Fuga" (Baby Driver, de Edgar Wright) EUA
O jovem Baby (Ansel Elgort) tem uma mania curiosa: ele precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Mesmo assim, o rapaz revela-se um motorista excelente, e começa a trabalhar para uma gangue de criminosos. Quando um assalto a banco não sai como planejado, ele cai na estrada em fuga. 
"Baby Driver" já nasceu cult, um filme estiloso cheio de referências e que passeia entre a ação, romance e muita música, tecnicamente impecável e atores inspirados, super empolgante!

09- Mãe! (Mother!, de Darren Aronofsky) EUA
 Um casal vive recolhido no meio de um campo em um imenso casarão de estilo vitoriano. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.
"Mother!" não é um simples suspense ou terror psicológico, é um filme complexo de muitas camadas que passeia por diversas metáforas e alegorias. Um obra grandiosa que disserta sobre religião, culto aos ídolos, moralismo, narcisismo, natureza, feminilidade e tantos outros temas que se desnovelam ao decorrer e que cada espectador sentirá, absorverá e interpretará de uma forma, as questões são amplas e isso é algo maravilhoso, o poder de reflexão é imenso. 

08- "Peles" (Pieles, de Eduardo Casanova) Espanha
Em uma sociedade extremamente tomada pela cultura do visual, pessoas com diferenças físicas curiosas são forçados a se esconder, se tornando reclusas entre elas. Dentre elas estão Samantha, uma mulher com o sistema digestivo de cabeça para baixo, Laura, uma menina sem olhos e Ana, que possui o rosto deformado. Juntas, esforçam-se para se encontrar em uma sociedade que só entende uma forma física e maltrata o diferente.
"Pieles" é original, desconcertante, poético, interessantíssimo e provoca o espectador o tempo inteiro ao colocar protagonistas com deficiências físicas e emocionais. É um drama social sombrio com pessoas deformadas e desfiguradas que precisam encontrar maneiras de esconder suas diferenças e lidar com o resto da sociedade. Uma obra sincera que desconstrói e atinge pelo bizarro, nada mais que um espelho da realidade. 

07- "O Sacrifício do Cervo Sagrado" (The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos) EUA/UK
Steven (Colin Farrell) é um cardiologista conceituado que é casado com Anna (Nicole Kidman), com quem tem dois filhos: Kim (Raffey Cassidy) e Bob (Sunny Suljic). Já há algum tempo ele mantém contato frequente com Martin (Barry Keoghan), um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven. Ele gosta bastante do garoto, tanto que lhe dá presentes e decide apresentá-lo à família. Entretanto, quando o jovem não recebe mais a atenção de antigamente, decide elaborar um plano de vingança.
"The Killing of a Sacred Deer" desconcerta e intriga tanto em sua estética fria e robotizada, quanto em seu roteiro com desenrolar lento e repleto de pontas, é uma experiência única assistir os filmes de Lanthimos, que mesmo produzindo fora de seu país continua com suas estranhas características, quanto mais se pensa no filme mais coisas surgem e mais interessante fica. E que interpretação de Barry Keoghan!! Desconcertante!

06- "Bom Comportamento" (Good time, de Ben e Josh Safdie) EUA
Após um malsucedido assalto a banco, Constantine Nikas (Robert Pattinson) vê seu irmão mais novo (Bennie Safdie) sendo preso e embarca em uma odisseia no submundo da cidade em que vive, numa tentativa cada vez mais desesperada e perigosa para tirar seu irmão da prisão. Ao longo de uma noite repleta de adrenalina, Constantine encontra-se em uma onda de violência e caos enquanto ele corre contra o relógio para salvar seu irmão e ele mesmo, sabendo que suas vidas estão por um fio.
"Good Time" é um filme que consegue transmitir toda a ansiedade e loucura para o espectador, o protagonista interpretado maravilhosamente por Robert Pattinson nos instiga a percorrer junto dele por uma alucinante noite e sentir todas as vibrações que advém de uma série de situações-limite. Grande surpresa!

05- "A Ghost Story", de David Lowery - EUA
Um rapaz C (Casey Affleck) recentemente morto retorna para o seu lar em forma de um fantasma de pano branco para tentar se reconectar com sua esposa M (Rooney Mara) ainda viva. 
"A Ghost Story" é uma obra indie de baixo orçamento (cerca de 100 mil dólares) melancólica, intimista, complexa e extremamente bela. Seu formato com enquadramento 4:3 e bordas arredondadas compõe as sutilezas desta história que disserta sobre o tempo. O ritmo pausado com planos fixos e longos, os movimentos delicados da câmera, o clima imersivo, tudo soa profundo e reflexivo. Contemplativo, sensorial e hipnotizante, disserta sobre nossa permanência no tempo com muita melancolia.

04- "The Square", de Ruben Östlund - Suécia
Um gerente de museu está usando de todas as armas possíveis para promover o sucesso de uma nova instalação. Entre as tentativas para isso, ele decide contratar uma empresa de relações públicas para fazer barulho em torno do assunto na mídia em geral. Mas, inesperadamente, isso acaba gerando diversas consequências infelizes e um grande embaraço.
"The Square" expõe uma perspectiva crítica à elite cultural europeia, em especial, a sueca, e disserta o como a arte vem sido repelida ao invés de provocar curiosidade, questões como os limites e o vazio das obras, há uma crise dentro desse universo e mesmo que a história gire em torno da sociedade europeia, percebemos que o sentido da arte contemporânea anda sendo questionado no mundo todo, além disso coloca em ênfase a contradição, enquanto uma obra em exposição sugere solidariedade, colaboração e empatia, os atos são completamente opostos, onde retrata uma população solitária, vazia e sem qualquer traço de cuidado com o outro. 

03- "O Outro Lado da Esperança" (The Other Side of Hope, de Aki Kaurismäki) Finlândia
Khaled (Sherwan Haji) fugiu da guerra na Síria e foi buscar asilo na Europa. Depois de percorrer vários países, solicita a permissão de estadia na Finlândia. Enquanto espera pela resposta, busca pela irmã, desaparecida, e consegue a ajuda de um pequeno comerciante, Wisktröm (Sakari Kuosmanen), que aceita empregá-lo em seu pequeno restaurante.
"The Other Side of Hope" é um filme simples, despojado e que transfere uma sensação de melancolia e acolhimento, o estilo de Kaurismäki é único, sempre com temas atuais e frágeis da sociedade, a maneira que seu roteiro se desenrola, as situações e as reações das pessoas, tudo com um toque de humor irônico e muita música, e que bom gosto musical tem esse diretor! 

02- "O Fantasma da Sicília" (Sicilian Ghost Story, de Antonio Piazza e Fabio Grassadonia) Itália
Giuseppe (Gaetano Fernandez) é um corajoso garoto de 13 anos de idade, que desapareceu nas mediações de uma misteriosa floresta localizada na pequena aldeia em que vivia. A única pessoa que parece não se conformar com o sumiço dele é a pequena Luna (Julia Jedlikowska), que está disposta a enfrentar todos os perigos para resgatar seu amigo.
"Sicilian Ghost Story" é um filme belíssimo em que imagens traduzem sentimentos, extremamente poético se desenrola de forma sutil, porém avassaladora, trata com cuidado um tema tão pesado e nos leva para uma atmosfera tensa e imaginativa, sua aura de sonho contamina e impregna na pele, totalmente imersivo! 

01- "Loveless" (Nelyubov, de Andrei Zvyagintsev) Rússia
Boris (Alexey Rozin) e Zhenya (Maryana Spivak) estão se divorciando. Depois de anos juntos, os dois se preparam para suas novas vidas: ele com sua nova namorada, que está grávida, e ela com seu parceiro rico. Com tantas preocupações eles acabam não dando atenção ao filho Alyosha (Matvey Novikov), que acaba desaparecendo misteriosamente.
"Loveless" é um filme sombrio que retrata as consequências de se viver em desamor, essa ausência de afeto está tanto dentro do seio familiar, como na sociedade que apequena o ser humano tornando-o preocupado e obcecado com regras e dinheiro. Zvyagintsev filma o desencanto que envolve a sociedade russa, o ambiente é um grande personagem também, o frio congelante que devasta os bosques é o reflexo da languidez e indiferença humana, o apuro da câmera ao atravessar esses lugares destruídos logo no início é um prenúncio de que algo muito ruim irá acontecer, e assim se dá e o vácuo que se instaura machuca o espectador. Filmaço!

2 comentários:

  1. Loveless, The Square e o Bom Comportamento estão na minha lista para conferir.

    Escrevi hoje sobre "Mãe!" no blog. Achei um filme interessante, mas que chama a atenção mais pela polêmica e por explorar simbolismos religiosos.

    Abraço e um ótimo 2018 para vc e sua família!

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  2. Poxa, lista maravilhosa! Ótimas indicações. Dos 4 (da lista) que eu vi, gostei de todos hehe ansioso para assistir aos demais ;)

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