segunda-feira, 20 de julho de 2015

Kosmos

"Kosmos" (2010) dirigido pelo turco Reha Erdem (Jîn - 2013) é um romance que mistura fantasia e o surreal, mas a sucessão de imagens e diálogos são marcantes e ao final nada se torna gratuito, a beleza está tanto em sua estética, como em sua abordagem poética e sábia.
Personagens misteriosos cativam de primeira, assim como nosso protagonista Kosmos, que não se sabe de onde vem e para quê vem, ele tem uma espécie de pureza em relação aos outros seres humanos. Ele chega à cidade vindo da floresta sob circunstâncias estranhas, e logo salva um menino de um afogamento e cria a fama de conseguir milagres. Kosmos e Neptün, a irmã adolescente do garoto resgatado, ficam amigos imitando pássaros e subindo em telhados. Mas, com a chegada de Kosmos, começa também uma leva de assaltos às pequenas lojas da cidade, ao mesmo tempo em que novos milagres acontecem. Kosmos é maravilhosamente bem interpretado pelo teatral Sermet Yesil, seu comportamento esquisito deixa a população da pequena cidade confusa, ao chegar todos dão as boas-vindas devido seu ato milagroso em devolver à vida ao garoto, mas conforme os dias passam acontecem roubos e logo são associados ao estranho visitante que incomoda com seus diálogos e seu comportamento de pássaro, do qual compartilha com Neptün (Türkü Turan).
"Kosmos" lida com algumas questões interessantes, mas é um filme subjetivo e que permite diversas leituras, e cada espectador capta aquilo que lhe convém. Pode ser interpretado como algo religioso, por exemplo, uma espécie de messias promovendo milagres, onde mostra a necessidade das pessoas acreditarem em algo maior, um herói, um Deus, etc... O mais legal é o como ele mexe com os valores que regem a sociedade, se você não se encaixa consequentemente não é visto com bons olhos, Kosmos é adorado e repudiado em pouco tempo, e também há o medo da comunidade pela invasão que traz novas culturas e pensamentos.
A fotografia do filme é exuberante, a beleza natural do local toda coberta de neve lembra bastante os longas de Nuri Bilge Ceylan, esse ambiente peculiar combina perfeitamente com a abordagem, que ora causa estranhamento, ora encantamento. É certo que por vezes pareça surreal, apenas imagens soltas criando uma atmosfera inquietante, mas sem dúvidas a reflexão toma conta de quem o assiste. Não é cinema convencional, tudo nele é diferente e demasiadamente místico. Bizarro, poético, fantástico, é mais um belo exemplar do cinema turco que vem nos presenteando cada vez mais com preciosidades.

O personagem cria um misto de sentimentos e é quase impossível não nos apegarmos a ele, seus diálogos sempre têm aspectos de sabedoria, nada do que diz é em vão, como por exemplo: "O homem não tem vantagem sobre os animais, porque tudo é vaidade, todos vão para o mesmo lugar", há inúmeras conversas das quais surgem ao acaso e a sua maneira de agir incomoda os demais, estando à margem da sociedade Kosmos é visto como um louco.
As imagens nos dá a possibilidade da imaginação, é um filme cheio de ideias e que mesmo sendo estranho tem uma graciosidade inexplicável.

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