quarta-feira, 27 de maio de 2015

Samba

"Samba" (2014) dos diretores Eric Toledano e Olivier Nakache (Intocáveis - 2011) diz sobre a imigração na França, e apesar do teor dramático é impossível tirar o sorriso do rosto durante o filme todo.
Samba (Omar Sy) é um imigrante do Senegal que vive há 10 anos na França e, desde então, tem se mantido no novo país às custas de empregos pequenos. Alice (Charlotte Gainsbourg), por sua vez, é uma executiva experiente que tem sofrido com estafa devido ao seu trabalho estressante. Enquanto ele faz o possível para conseguir os documentos necessários para arrumar um emprego digno, ela tenta recolocar a saúde e a vida pessoal no trilho, cabendo ao destino determinar se eles estarão juntos nessa busca em comum.
Acompanhamos Samba e a sua rotina, a luta pela dignidade em um país que pouco se importa, a realidade é triste e todos os dias vai em busca de pequenos trabalhos afim de conseguir sobreviver, onde a mudança de nome é algo recorrente. Omar Sy brilha em seu personagem, é extremamente carismático, seus olhos exprimem tanta sensibilidade que nos apaixonamos pela sua história. É um filme que sabe extrair beleza de um tema difícil e o melhor do ser humano, como a vontade, o amor, a alegria, e a coragem.
Charlotte Gainsbourg é Alice, uma mulher que sofreu um stress (burn out) muito grande no trabalho e acabou sendo afastada e tenta se recolocar na sociedade, ela conhece Samba trabalhando como voluntária numa ONG, lá seus mundos distintos se encontram e se gostam. Cada um está quebrado à sua maneira. Em um dado momento Samba diz a ela que tem medo de um dia esquecer quem ele é por causa de tantas mudanças e a necessidade de não demonstrar que é um imigrante, aí Alice diz que é só gritar seu nome, pois todos vão pensar que quer dançar. São esses momentos por exemplo que o filme nos fisga, são recheados de emoção e tanto o choro como o sorriso aparece.
Não é uma situação agradável de ver, os centros de empregos atulhados, todos desesperados pra conseguir um bico que contratam ilegais e pagam salários baixos, os esteriótipos criados, como senegaleses só servem para obras, não para lavar janelas, a perda de identidade, de vida. Em solo europeu são invisíveis, desprezados, mas fazem todo tipo de trabalho pesado que muitos lá não fazem e enquanto isso convém para o governo fingem não ver, até que decidem por algum motivo fazer uma limpeza e devolvê-los.

Outro personagem que se destaca na trama é Wilson (Tahar Rahim), que assume o papel de brasileiro, ele rouba a cena toda vez que surge com o seu jeitinho à la brasileira, sempre com um sorriso no rosto e um "tudo bem". Surpreende em vários momentos ao declarar que os brasileiros são aceitos com mais facilidade, mas o que vemos é uma extrema força de vontade desses imigrantes que preferem ficar num país ilegalmente do que voltar para seus lugares de origem e enfrentarem o triplo de miséria e desemprego.
Vale destacar a trilha sonora que dá mais vida ao filme e para fazer jus ao título contém músicas brasileiras, como "Palco", de Gilberto Gil, e "Take It Easy My Brother Charles", de Jorge Ben Jor, também tem Tom Odell, o reggae de Bob Marley e os acordes melancólicos do pianista e compositor italiano Ludovico Einaudi.

"Samba" é um filme leve, mas não deixa de ser crítico, tem atuações impecáveis, um roteiro despretensioso e traz principalmente à tona o ser humano que não desiste, a sua busca pela dignidade sempre com brilho nos olhos e a esperança que nunca cessa independente dos momentos tristes e desesperadores.
Uma bela obra dessa dupla de diretores que mais uma vez soube extrair sentimentos bons de situações desagradáveis. É um filme pra sorrir e chorar ao mesmo tempo!

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