quinta-feira, 14 de maio de 2015

Faults

"Faults" (2014) dirigido por Riley Stearns tem uma premissa bastante interessante e consegue fazer com que mergulhemos no universo dos personagens. Na trama, Ansel Roth (Leland Orser) é um homem que ganha a vida tratando de pessoas que sofreram algum tipo de lavagem cerebral, mas que se encontra em decadência. Quando um casal de idosos pede o seu auxílio para ajudar sua filha (Mary Elizabeth Winstead), que entrou para um culto, ele vê uma oportunidade para reerguer sua carreira.
Ansel é um sujeito que resgata mentes que sofreram lavagem cerebral, mas sua reputação não é das melhores desde um caso malsucedido, além também de dever muito dinheiro. Ninguém se interessa por suas palestras, livros e ele precisa criar meios até para comer. Certo dia, um casal de idosos pede ajuda para sua filha, que sofreu uma lavagem cerebral de um grupo denominado "Faults". Desesperado e otimista ele aceita o trabalho e articula um plano para "sequestrar" a moça e começar então o processo.
Criativo e chamativo, o roteiro segue de forma estranha, mas impressiona justamente por nos enganar. É preciso embarcar na história, o protagonista ansioso por ter sua vida de volta, respeito e dinheiro não percebe o que acontece a sua volta, e isso é pela importância que dá ao seu suposto conhecimento.
O charlatanismo religioso está por aí e é preciso ficar atento, já que todos nós uma hora ou outra se sente frágil, inútil e sozinho, uma pessoa com uma lábia afiada afim de se dar bem em cima disso é capaz de ludibriar, há exemplos infinitos, como promessas de milagres, o reino de Deus em troca do dinheiro, previsões de futuro, etc. Incrível como a palavra tem o poder de mudar tudo tirando proveito em cima da fraqueza alheia. Claro, o filme não pretende julgar nenhuma religião, mas sim a essas práticas que muitos desenvolvem.
Ansel causa repulsa logo no início, mas nossas emoções vão mudando ao desenrolar, ele realmente quer ajudar a moça, mas a sua situação não é das melhores para dar apoio a alguém, e aí é que o roteiro brinca e surpreende em seu final.

O longa se disfarça de thriller, mas em sua essência é muito crítico e inteligente, nos elucida sobre o como o charlatão se utiliza das falhas e fraquezas dos outros para poder se dar bem sem que nada soe falso. Basta algumas palavras certeiras e o estrago está feito, por isso é necessário que nos conheçamos, que olhemos para dentro e saibamos dos nossos defeitos e qualidades, para que nas situações de extrema sensibilidade não deixemo-nos levar.
"Faults" brinca com o espectador e ao final nos abre os olhos e diz o quanto é fácil enganar. Um filme que merece atenção e que sem dúvidas deve ser revisto.

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