quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Banhos (Xizao)

"Banhos" (1999) de Zhang Yang (Indo para Casa - 2007) é um filme extremamente belo que retrata valores dos quais estão se perdendo, como o contato e o amor pelo próximo.
Numa antiga e tradicional casa de banhos, um homem simples e seu filho deficiente mental passam os dias a atender seus clientes que relaxam em banhos quentes, massagens e afins, num ambiente harmonioso e amistoso. Lá, os homens em sua maioria mais velhos jogam conversa fora, desabafam, e acontece até a tal luta de grilos. Da Ming, o outro filho do senhor da casa de banhos retorna para verificar se o pai está bem, pois recebeu um desenho estranho de seu irmão, Da Ming não gosta da maneira como vivem e ainda nutre preconceito por seu irmão deficiente. Ele é completamente diferente, possui outros valores, dos quais não cabem naquele lugar, mas aos poucos vai percebendo a importância de tudo aquilo para seu pai.
Fica claro que Da Ming só apareceu lá porque achou que seu pai tinha morrido, e isso entristece Mestre Liu, que a princípio se mantém distanciado do filho, e este distanciado do que acontece no local, para ele que vive em ritmo acelerado, os banhos que parecem nunca terminar é algo incompreensível. O irmão deficiente Er Ming é um personagem que nos fisga pela sua simpatia, apego emocional com o pai, e habilidade em lidar com a casa de banhos. Vemos sua simplicidade e compaixão pelas pessoas, e algumas cenas se destacam, como quando ele fascinado observa um jovem tímido cantando ópera no chuveiro enquanto o restante não o tolera, ou suas corridas com o pai ao fim do expediente.
Da Ming com o passar dos dias contempla essa rotina e começa a se envolver com o pai e o irmão, ele vai aceitando e por conseguinte não sente mais vergonha. Gostando de permanecer do lado de sua família, ele acaba por adiar a sua partida, ainda mais quando seu pai adoece e fica responsável por ajudar na casa de banhos. Ao assumir o lugar do pai redescobre suas origens e resgata valores. 

O prédio se situa em uma região que irá ser construído um shopping e não demorará para tudo ali ser demolido, mas mestre Liu morre antes. Da Ming permanece no local até o fim, ele vacila em alguns momentos e chega até a deixar seu irmão num local especializado em doentes mentais, mas se arrepende e o busca para morar junto de si, só que ele não disse para a esposa sobre sua existência, o que complica seu relacionamento, ao falar no telefone sobre o assunto, ela simplesmente desliga. Portanto, Da Ming estreita mais a sua relação com Er Ming e percebe o amor verdadeiro.

Há cenas memoráveis, sutis, e até inocentes, Er Ming nos ensina que a simplicidade é o maior valor que o ser humano pode ter, sua generosidade em relação ao jovem cantor de chuveiro emociona.
Vivemos na era do individualismo, onde não há espaço para gentilezas, julgamos o que é diferente por falta de compreensão e por consequência excluímos, todos têm suas certezas absolutas e por isso deixam de aprender a ter olhares diversos. Em "Banhos" vemos a tradição versus modernidade, mas também o como é importante manter laços, seja familiares, ou de amizade. 

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