segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Lágrimas de Abril (Käsky)

Guerra Civil Finlandesa, abril de 1918. Os brancos vitoriosos caçam os guardas vermelhos remanescentes. Cerca de 2.000 mulheres lutaram entre os soldados vermelhos, entre elas Miina Malin, comandante do esquadrão feminino. Após escapar do fuzilamento, Miina é recapturada por Aaro Harjula, um soldado branco que acredita em justiça e dignidade. Contrariando as ordens de seu superior, Harjula decide levar Miina à corte marcial para ser julgada. Durante o trajeto, acontece algo que mudará o destino dos dois.
Baseado no romance de Leena Lander, "Lágrimas de Abril" é um mergulho em um cenário de violência, miséria, poesia e desejos reprimidos, emoldurados por uma belíssima fotografia. As mulheres eram definidas como "lobas", e eram consideradas uma grande ameaça. A guerra é somente um pano de fundo nessa forte história, aqui questões humanas são colocadas em xeque, decisões cruciais, que quando tomadas, as consequências chegam de maneira dolorosa. A tradução do título para "Lágrimas de Abril" é extremamente acertada e sensível, pois o original "Käsky" é algo como "Comando" se traduzido ao pé da letra. 
O personagem Harjula é o ponto forte, pois em meio a tanto ódio e terror, ele ao contrário dos outros têm sentimentos e lamenta pelos prisioneiros que mais tarde serão executados. Miina consegue escapar de uma execução, em que mais ou menos quinze mulheres são capturadas ao tentar enfrentar o exército branco. Depois de uma noite de desforra, em que os soldados usufruem de seus corpos de maneira insana, executam-as, restando apenas Miina, que logo é pega pelo Harjula. Este por sua vez deseja um julgamento justo para aquela mulher, e por conta própria a leva à corte, só que no caminho acontece um imprevisto, onde ficam presos em uma ilha, e sentimentos mais fortes se revelam. Ao chegar no cenário de seu julgamento encontramos um homem rústico e bem peculiar, Emil Hallenberg é sisudo, intelectual, mas esconde algo em seu íntimo. Ele tem o poder de libertar ou não Miina, mas a mantém só para poder ficar perto de Harjula, que mais tarde percebemos suas verdadeiras intenções. Vendo que o soldado tem um carinho extra por Miina, Emil aproveita para tirar tudo que pode do seu querido Harjula.
O filme é apenas um retrato insosso dessa guerra. Também não pode-se dizer que é propriamente um romance, dada a frieza dos personagens que é necessária naquele ambiente. O desfecho do filme é surpreendente e emociona. Uma ponta de esperança, a liberdade de Miina faz com que Harjula lute para que ela consiga sobreviver, e ir ao encontro do menino que sua amiga antes de morrer a fez prometer encontrar.

"Lágrimas de Abril" é visualmente belíssimo e envolvente, ele segue um ritmo próprio em que as situações seguem sem serem forçadas. Muitos finlandeses o definem como um filme sem conteúdo, apenas como "um pedaço de guerra". Mas é perceptível que é um filme requintado e extremamente sensível, apesar da frieza, que deve ser da natureza dos finlandeses. Harjula é dotado de uma sensibilidade mais humana, Emil é mais caricato, porém em seu íntimo é um ser carente, e Miina faz o papel de uma mulher forte, durona e impenetrável. Pode-se dizer que a sensibilidade existe, mas não é aparente e explícita. É um filme característico e peculiar.

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