quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A Fita Azul (Electrick Children)

"A Fita Azul" (2012) é um filme independente da diretora estreante Rebecca Thomas, a história é no mínimo peculiar e baseia-se na sua própria vida que é de origem mórmon, os conceitos, o fundamentalismo, a alienação e o valor da fé são questionados de maneira agradável sem jamais fazer qualquer tipo de crítica, a visão é completamente inocente e por vezes surreal.
Rachel (Julia Garner) é uma adolescente de 15 anos de uma comunidade mórmon em Utah, já no início nos deparamos com ela dando um depoimento para o pastor e também padrasto, ele lhe faz perguntas sobre sua fé e se ainda continua pura, tudo isso é gravado pelo meio-irmão Mr. Will (Liam Aiken). O gravador gera um certo fascínio na garota que deseja ouvir seu depoimento, à noite escondida ela vai procurá-lo e se depara com diversas fitas, ela coloca uma fita azul e se inebria com o seu primeiro contato com a música e o rock'n roll, a canção é um cover de "Hanging on the Telephone", da banda The Nerves, esta que dá o tom ao filme, impossível tirá-la da cabeça após o seu término. Depois desse contato Rachel acredita que está grávida, uma concepção imaculada, o resultado dá positivo e o padrasto e líder Paul (Billy Zane), decide expulsar Mr. Will, pois na noite em que ela foi procurar o gravador Gay Lynn (Cynthia Watros), a mãe, os viu juntos.
O filme não dá respostas ao espectador, ele foge dos clichês e situações fáceis, nós deduzimos ao longo o que de fato aconteceu. Rachel desesperada por não aceitar um casamento arranjado às pressas resolve fugir, rouba a chave da velha caminhonete e acelera o mais que pode, ela crê que encontrará o pai de seu filho (a voz no gravador), o que ela não contava é que Mr. Will estava dormindo na traseira, ao chegar em Las Vegas é que se dá conta. Nessa parte surgem os contrastes, e estes são fortíssimos. Os dois são adolescentes que parecem de uma outra época, as roupas, a maneira de se portar, falar, tudo é novidade, o mundo se abre a eles quando conhecem Clyde (Rory Culkin), um garoto rebelde, livre, que vive numa espécie de comunidade com vários amigos músicos e skatistas, o ambiente é o oposto daquela vida que levavam no campo. Eles experimentam novas sensações e Clyde acaba se apaixonando por Rachel, ele compreende a garota por ser um alguém de certa forma alheio a tudo também.
Rachel busca a voz que a engravidou, mas o destino a leva para uma descoberta maior. De fato o longa se assemelha a um conto de fadas, mas é isso que gera beleza ao filme, o aspecto de inocência em meio a efervescência é algo inacreditável.

O interessante é que cada um pode tirar suas próprias conclusões, existem várias pistas sobre quem a deixou grávida, o filme não quebra a aura singela com respostas tristes.
"A Fita Azul" é uma releitura ao milagre de Maria, e disserta de forma sutil sobre questões religiosas, fundamentalismo e o fervor exacerbado que gera a alienação.
É um exemplar original, sem dúvidas uma amostra vigorosa de criatividade. O elenco é ótimo, Júlia Garner como Rachel esbanja delicadeza, a pureza dela é tão linda que desejamos que não seja retirada por alguma verdade devastadora. Rory Culkin como Clyde é rebelde e deslocado, Liam Aiken como Mr. Will faz um papel de mais maduro, quando na verdade ainda nem descobriu-se, suas experiências mal-sucedidas em Las Vegas demonstram isso. No final cada um faz a sua escolha, algumas coisas são reveladas e outras ficam no ar para nós decidirmos.
O filme é feito de contrastes e descobertas, é preciso embarcar na história, caso contrário não surtirá efeito.

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