terça-feira, 24 de abril de 2018

O Monstro de Martfüi/Estrangulado (A Martfüi Rém)

"O Monstro de Martfüi" (2016) dirigido por Árpád Sopsits (Torzók - 2001) é um filme  inspirado em uma história real perturbadora e indigesta sobre um serial killer de uma pequena cidade da Hungria, no período socialista entre 1957 a 1964. A atmosfera sombria e a abordagem crua cria sensações angustiantes e o desenvolvimento por mais que não crie tensão causa mal-estar, pois não esconde a violência e a agonia vivenciada.
Hungria, 1960. A pequena cidade de Martfü está sofrendo com os horrores que tomaram conta da região: um assassino sanguinário está à solta tirando a vida de várias mulheres. Obcecado em encontrar o culpado, o detetive designado para o caso está sendo fortemente pressionado pelo promotor a condenar alguém e, isso fará com que um homem que nunca poderia ter cometido tais crimes seja acusado.
Logo de cara conhecemos o local onde tudo acontece, uma fábrica de sapatos da qual muitas mulheres trabalham, numa noite Réti (Gábor Jászberényi) vai lá encontrar a mulher que gosta e acompanhá-la até sua casa, porém durante este trajeto ela é atacada e assassinada e Réti termina sendo acusado e sentenciado à prisão perpétua. Passa-se sete anos e os crimes continuam acontecendo e a polícia abafando, mas quando um jovem policial Szirmai (Péter Bárnai) é designado para investigar ele liga os novos assassinatos com o caso Réti. A história segue três linhas narrativas: o inocente sofrendo na cadeia e suas apelações sendo negadas, o real assassino em ação e a investigação que se torna pontual quando Szirmai assume, como filme policial carece de suspense e tensão, as tramas não se conectam e quebram a apreensão, mas como filme de serial killer é impressionante por focar na frieza e crueldade de Bognár Pál (Károly Hajduk), que escolhe as mulheres aleatoriamente, as estrangula e depois as estupra largando-as nuas e machucadas no lago ou nos trilhos de trem, ele é doentio e realmente causa asco. 

A fotografia escura ajuda na inserção do thriller mesmo que o mistério seja pouco trabalhado, o estuprador assassino é revelado logo e acompanhamos uma série de mortes provocadas de forma brutal, enquanto isso a polícia se desdobra para esclarecer o caso e reverter a situação de Réti com alguma desculpa plausível. A correria da polícia contrasta com o ritmo vagaroso do maníaco e as partes na prisão retratando Réti na maioria das vezes é depressiva e inerte. Por mais que as partes não se conectem perfeitamente é um filme que não segue um caminho óbvio e comum do gênero policial, ele prefere ser fiel ao horror que foi o caso real e o quanto a polícia foi relapsa ao encontrar um culpado rapidamente para mostrar competência ao Estado. O principal era manter a segurança mesmo que fosse tudo uma mentira.

"O Monstro de Martfüi" é pesado e se mantém firme nas cenas em que retrata o assassino em ação, vemos seu semblante, o seu modo de agir, toda a sua obsessão depravada em possuir essas mulheres mortas, e no fim quando é pego e interrogado nos causa um gelo na espinha, é terrivelmente cruel e vazio. Apesar de arrastado e quebrar a tensão em muitos momentos é um noir elegante que choca e ainda critica com peso o quanto a incompetência da polícia juntamente com as burocracias do Estado podem acabar gerando histórias terríveis a fim de mascarar a realidade. 

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