segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Swiss Army Man

"Swiss Army Man" (2016) dirigido por Daniel Kwan e Daniel Scheinert, conhecidos como The Daniels, é cinema autoral, singular, bizarro e surpreendente, Daniel Radcliffe e Paul Dano estão fabulosos em cena, a sinergia entre eles é impressionante. O filme remete um pouco a "Um Morto Muito Louco" - 1989 e "Náufrago" - 2000, mas a verdade é que não existem comparações, realmente é um filme muito original e estranho. Segundo os diretores, esse é um filme onde o primeiro peido faz você rir, e o último, faz chorar.
Hank (Paul Dano), um homem perdido no deserto, e sem esperanças, encontra um corpo no meio do caminho. Decidido em ficar amigo do morto, eles vão partir, juntos, em uma jornada surrealista para voltar para casa. Ao mesmo tempo em que Hank descobre que o corpo é a chave para sua sobrevivência, ele é forçado a convencer o morto o quanto vale a pena viver.
É fato que é preciso embarcar na viagem que os diretores propõem e saber olhar além do superficial e da escatologia, há um existencialismo patente na trama. Por detrás do trivial há reflexões importantes, principalmente o de ser você mesmo, se libertar, os gases nada mais são do que uma analogia a isso. O filme disserta sobre solidão, angústia, aceitação, amor, entre outras coisas, pode-se ter variadas interpretações, é alegórico. Ele brinca com o fato do protagonista não se encaixar e estar perdido no mundo, ele quer se matar mas encontra um cadáver que o salva com o peido, a partir de então o torna seu amigo, esse morto começa a falar, a questionar e se deslumbrar com o mundo, pois não lembra de absolutamente nada, ele vê a vida com olhos pueris e sem travas morais, ele também é uma espécie de canivete suíço, serve como fonte de água, seu pênis de bússola, sua boca como machado, seus peidos o impulsionam como um jet ski e uma infinidade de outras serventias. Radcliffe com toda a limitação de seu personagem exibe um timing cômico sensacional, suas poucas expressões são significativas e sua fala arrastada garantem o tom esquisito do longa, Paul Dano está perfeito expondo sua vulnerabilidade e compaixão, causa empatia e certamente merece inúmeros elogios por sua atuação. Esse moço sabe fazer tipos estranhos.
No meio da floresta Hank constrói um universo onírico que representa toda a dor humana, a cena do ônibus em que ele explica a Manny o sentimento quando encontrar a garota por quem é apaixonado, é emocionante. As figuras, as cores, os efeitos, a trilha sonora original é de uma delicadeza absurda. Hank e Manny criam uma forte conexão chegando em alguns momentos, como na cena em que estão submersos num rio, surgir um envolvimento romântico. Os sentimentos envolvidos são muitos e ambíguos.

A imaginação corre solta, uma onda de pensamentos invade, curioso analisar a vida e o como vivemos através de um filme onde se utiliza elementos desagradáveis e inusuais. Quando Manny começa a falar com Hank e pergunta sobre tudo a sua volta, o que é isso, o que é aquilo, se fascina com o mistério da vida e fala tudo o que vem a sua cabeça, Hank diz que ele não pode falar tudo o que pensa, pois a sociedade se escandaliza com certos assuntos, existem códigos morais.
Ao longo do filme observamos que Hank ao segurar seus peidos por medo do que os outros iriam pensar foi tão ruim quanto ter segurado seus sentimentos em relação a garota que via no ônibus, a falta de coragem e passividade o atormenta. Sempre receoso deixou de arriscar não abrindo espaço para possíveis possibilidades, sejam elas positivas ou negativas. 

"Swiss Army Man" é extremamente criativo, peculiar, belo e gracioso, a trilha sonora é um deleite e traz composições originais incríveis interpretadas por Dano e Radcliffe, como "Cotton Eye Joe", "When I Think About Mom", "History Of The Universe", "Montage", "Goodbye/Hello", entre outras. Tudo nesse filme é único e inusitado, explora com encanto e poesia o como é difícil se expressar, falar sobre o que sentimos, se libertar e ser quem realmente somos. 

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