terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Sinfonia da Necrópole
"Todas as pessoas morrerão sozinhas, infelizes como um cão sarnento. A vida é amargura, para quê tanto tormento para virar poeira ao vento e terminar na cova escura."
"Sinfonia da Necrópole" (2014) dirigido por Juliana Rojas (Trabalhar Cansa - 2011) traz uma proposta ousada e inovadora dentro da cinematografia brasileira, é um musical/romance com uma abordagem cômica e ainda assim crítica e reflexiva sobre a urbanização de um cemitério, além disso a trama conversa um pouco com o terror e a fantasia, mas toda a aura envolvendo o cemitério é natural e comum, não há aquela impressão de um local obscuro e que gera sentimentos ruins, vamos nos familiarizando com os personagens e entendendo a dinâmica que está acontecendo, mas também não deixa de dissertar sobre a finitude da vida.
O jovem aprendiz de coveiro Deodato (Eduardo Gomes) está com seu emprego em risco. Os outros coveiros duvidam de sua capacidade para o trabalho. Seu tio Jaca (Paulo Jordão) tenta sensibilizá-lo para a função, mas é inútil: o trabalho aflige a Deodato, que tem aspirações artísticas. Prefere tocar o órgão da igreja escondido e vagar pelo cemitério escrevendo poemas. Após desmaiar durante um dos enterros, ele é chamado à diretoria, onde é confrontado por Aloizio (Hugo de Villavicenzio), o administrador do cemitério.
Deodato é um cara sensível e medroso, não gosta do trabalho como coveiro, porém esforça-se para não desagradar o tio, que lhe arranjou o emprego, ele tem alma de poeta e se desarranja quando precisa lidar diretamente com os defuntos, essa realidade muda quando Jaqueline (Luciana Paes), uma funcionária do serviço funerário é contratada para verticalizar a necrópole a fim de modernizar e abrir mais espaço para novos túmulos, assim gerando mais dinheiro. Ela chama Deodato para ajudá-la, fazem um inventário sobre o estado dos túmulos e vão atrás dos familiares para realizarem o remanejamento. Jaqueline é firme e gosta do que faz, joga uma conversa sobre conforto e modernização, e por fim oferece dinheiro e os familiares acabam aceitando. Jaqueline lida com a situação de forma tão prática que assusta, mas isso parece não incomodar Deodato que se apaixona por ela. Os dois são opostos, mas se dão bem e convencem pela naturalidade, entre tudo isso os números musicais são encaixados perfeitamente com as cenas, as letras são elaboradas e inteligentes, tiram vários sorrisos e lágrimas ao decorrer. As interpretações têm tom teatral e evidenciam essa aura despojada, é uma mistura inusitada que deu certo.
Interessante a crítica que o longa faz à maneira como lidam com a ampliação do cemitério, a reforma e a sua verticalização devido o crescimento das cidades, isso perturba Deodato que sensível alucina com os mortos vindo lhe pedir ajuda para não mexerem em seus túmulos. Jaqueline representa toda a frieza que seu ofício precisa ter, o olhar analítico e preciso de mercado, para ela o cemitério está longe de ser um local assombrado, mas para Deodato remover os restos mortais de túmulos abandonados é um desrespeito. Com a grande demanda falta lugar para os mortos, a verticalização parece ser a grande solução e o grande negócio atual para o mercado funerário.
"Sinfonia da Necrópole" é um exemplar nacional inovador, equilibra humor negro e crítica social, tem leveza mesmo abordando temas pesados. Com personagens graciosos, como Deodato e seu tio e outras como a de um louco hipocondríaco que vive a procurar o padre, este que come as hóstias quando sente fome, além da mulher que vende coroas e o coveiro Humberto, eles dão ao filme um ar simpático e divertido. Os musicais, sem dúvida, são a grande atração, destaque para a "Canção dos Coveiros", "Canção dos Caixões" e "Canção da Metrópole", que com perspicácia e originalidade diz sobre o crescimento populacional das metrópoles e as mudanças e as adaptações que ocorrem por conta disso nas necrópoles.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Aquarius
"Aquarius" (2016) dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho (O Som ao Redor - 2012) e estrelado por Sônia Braga traz uma narrativa com diversos temas que se entrelaçam, mas, sobretudo, diz sobre memórias e resistência. É uma obra de arte poética.
Clara (Sônia Braga), 65 anos de idade, é uma escritora e crítica de música aposentada. Ela é viúva, mãe de três filhos adultos, e moradora de um apartamento repleto de livros e discos no Bairro de Boa Viagem, num edifício chamado Aquarius. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.
Sônia Braga é uma fortaleza em cena, mulher que já passou por inúmeros desafios e que carrega cicatrizes, uma delas, literalmente. Ela faz parte da classe média alta, não tem problemas financeiros, é dona de vários apartamentos, mas prefere morar onde foi criada e criou seus filhos, no Bairro de Boa Viagem, no edifício Aquarius que fica de frente para o mar, um lugar repleto de memórias e que abraça a personagem com lembranças. Sozinha, revive momentos escutando seus Lps, esse prédio já não faz parte da paisagem da Recife atual, assim como os móveis que a cercam e a própria protagonista, tem uma frase que diz muito sobre isso, "se você gosta é vintage, seu eu gosto é velho". Com toda a especulação imobiliária que existe e perante os assédios da construtora que anseia vorazmente dar fim ao Aquarius e erguer um moderno e luxuoso edifício, Clara resiste, é a única moradora e com o passar dos dias vai enfrentando a impertinência do jovem empreendedor Diego (Humberto Carrão), que não poupa artifícios para tirar Clara do seu lar. Este personagem é nojento, representa a arrogância, a sujeira e os males que trazem consigo ao empregar falsas ideologias humanistas com ideais de empreendedorismo, para, na verdade, obter reconhecimento e muito dinheiro. Clara enfrenta olhos nos olhos, serena, ouvindo e respondendo à altura, são diálogos críticos que colocam em evidência o poder concentrado nas mãos de apenas alguns e que é passado de geração em geração, Clara combate com maestria o jovem com sangue nos olhos que fez curso de Business.
"É impressionante o que se diz, que falta educação. E sempre se referem a gente pobre. Mas falta de educação não tá em gente pobre não, tá em gente rica e abastada como você, sabe? Gente de elite, que se fala "de elite", que se acha privilegiada, que não entra em fila. Gente como você, que fez "curso de Business" nos Estados Unidos, mas não tem formação humana, não criou caráter, sabe? Quer dizer... O seu caráter é o dinheiro. Portanto, meu amor, você não tem caráter. Só o que você tem é essa carinha de merda."
"É impressionante o que se diz, que falta educação. E sempre se referem a gente pobre. Mas falta de educação não tá em gente pobre não, tá em gente rica e abastada como você, sabe? Gente de elite, que se fala "de elite", que se acha privilegiada, que não entra em fila. Gente como você, que fez "curso de Business" nos Estados Unidos, mas não tem formação humana, não criou caráter, sabe? Quer dizer... O seu caráter é o dinheiro. Portanto, meu amor, você não tem caráter. Só o que você tem é essa carinha de merda."
Clara não é perfeita, é contraditória e prepotente, ela também faz parte desta elite que a está atrapalhando a viver em paz seu cotidiano, a tensão dos conflitos de classes está evidenciado, tem algumas sequências, por exemplo, sobre a empregada ser "quase" da família, de Clara ultrapassar o esgoto que separa a parte rica da pobre para ir à festa de aniversário dela, ou quando surge a lembrança de uma antiga empregada que roubou joias da família, e aí soltam a frase: "Elas roubam e a gente explora. Justo".
"Aquarius" é um filme de contrastes e cheio de camadas, é rico em detalhes e com diálogos pertinentes, além da bela trilha sonora que conversa o tempo todo com a trama. Dividido em três capítulos, "O Cabelo de Clara", "O Amor de Clara" e "O Câncer de Clara", o filme possui cenas sutis, mas de imenso significado, como quando a filha de Clara reclama da ausência da mãe e menospreza sua profissão, o irmão sem dizer uma palavra abre um livro escrito pela mãe e mostra a dedicatória feita. São momentos introspectivos e poéticos, uma gama de temas que vão sendo lançados e amarrados conforme o desenrolar.
"Aquarius" é um filme de contrastes e cheio de camadas, é rico em detalhes e com diálogos pertinentes, além da bela trilha sonora que conversa o tempo todo com a trama. Dividido em três capítulos, "O Cabelo de Clara", "O Amor de Clara" e "O Câncer de Clara", o filme possui cenas sutis, mas de imenso significado, como quando a filha de Clara reclama da ausência da mãe e menospreza sua profissão, o irmão sem dizer uma palavra abre um livro escrito pela mãe e mostra a dedicatória feita. São momentos introspectivos e poéticos, uma gama de temas que vão sendo lançados e amarrados conforme o desenrolar.
É preciso deixar de lado todas as polêmicas extrafílmicas, a política está presente no contexto, claro, a crítica social é forte, mas assisti-lo somente por este viés é sufocar uma obra que mostra inúmeras facetas, é uma pena todo o binarismo, radicalismo em torno, pois a obra é sutil e marcada por uma protagonista complexa que resiste e conserva seu direito de viver como quiser, não é apenas pelo apartamento, também é sobre empoderamento feminino. Leituras é que não faltam, portanto, na essência não é um filme político, mas um filme que abarca uma série de questões importantes com sensibilidade e arte.
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
A Garota Desconhecida (La Fille Inconnue)
"A Garota Desconhecida" (2016) dirigido pelos irmãos Dardenne (Dois Dias, Uma Noite - 2014) traz novamente a tão aclamada característica dos cineastas, o registro naturalista com a câmera agitada e dramas pessoais envolvidos em crítica social, porém, talvez esse seja o menor trabalho deles, mas o que não quer dizer que seja ruim.
Jenny (Adele Haenel) é uma jovem médica que está prestes a assumir um consultório de atendimento particular, mas antes disso acontecer segue em um endereço atendendo conveniados com a ajuda do estagiário Julien (Olivier Bonnaud). Jenny é séria e autoritária e logo surgem as desavenças com o estagiário, principalmente quando ele trava diante a um menino sofrendo de um ataque epilético, numa noite o proíbe de abrir a porta ao sinal da campainha, pois diz que já acabou o horário de expediente. No outro dia, a polícia aparece em seu consultório comunicando a morte de uma moça não identificada próximo dali e que precisam analisar as imagens da câmera de vigilância, justamente a pessoa da qual Jenny se negou a abrir a porta na noite passada está morta. Sentindo-se culpada Jenny inicia uma busca para saber quem é essa moça, mas ela não se importa em saber quem a matou, o interesse é saber quem ela era.
O longa ganha tons de gênero de investigação policial e o suspense toma conta, a trama segue com a protagonista tentando desvendar a identidade dessa jovem mulher que aparece assustada no vídeo e que mais tarde morre, ela se encontra com várias pessoas que dão informações importantes e pistas cada vez mais intrigantes, Jenny fica praticamente obcecada em obter o nome desta moça, especialmente para tirá-la da parte onde ficam enterrados os indigentes.
Adele Haenel atua com firmeza e autenticidade, tem grandes momentos em cena, para além da investigação que trava, as suas consultas domiciliares revelam uma Jenny muito querida pelos seus pacientes e denota certa fragilidade, por exemplo, quando o menino com câncer toca uma música em sua homenagem, ela chora de maneira contida e diz que apesar de que não será mais sua médica, o visitará. Certamente uma excelente profissional que abdicou da vida pessoal em detrimento do trabalho, perceba que pouco sabemos dela, até porque ela mora no próprio consultório. Jenny desiste da clínica particular depois do episódio da moça e sua frieza inicial se esvai a toda vez que sua campainha toca. Uma transformação significava acontece em Jenny.
Jenny (Adele Haenel) é uma jovem médica que está prestes a assumir um consultório de atendimento particular, mas antes disso acontecer segue em um endereço atendendo conveniados com a ajuda do estagiário Julien (Olivier Bonnaud). Jenny é séria e autoritária e logo surgem as desavenças com o estagiário, principalmente quando ele trava diante a um menino sofrendo de um ataque epilético, numa noite o proíbe de abrir a porta ao sinal da campainha, pois diz que já acabou o horário de expediente. No outro dia, a polícia aparece em seu consultório comunicando a morte de uma moça não identificada próximo dali e que precisam analisar as imagens da câmera de vigilância, justamente a pessoa da qual Jenny se negou a abrir a porta na noite passada está morta. Sentindo-se culpada Jenny inicia uma busca para saber quem é essa moça, mas ela não se importa em saber quem a matou, o interesse é saber quem ela era.
O longa ganha tons de gênero de investigação policial e o suspense toma conta, a trama segue com a protagonista tentando desvendar a identidade dessa jovem mulher que aparece assustada no vídeo e que mais tarde morre, ela se encontra com várias pessoas que dão informações importantes e pistas cada vez mais intrigantes, Jenny fica praticamente obcecada em obter o nome desta moça, especialmente para tirá-la da parte onde ficam enterrados os indigentes.
Adele Haenel atua com firmeza e autenticidade, tem grandes momentos em cena, para além da investigação que trava, as suas consultas domiciliares revelam uma Jenny muito querida pelos seus pacientes e denota certa fragilidade, por exemplo, quando o menino com câncer toca uma música em sua homenagem, ela chora de maneira contida e diz que apesar de que não será mais sua médica, o visitará. Certamente uma excelente profissional que abdicou da vida pessoal em detrimento do trabalho, perceba que pouco sabemos dela, até porque ela mora no próprio consultório. Jenny desiste da clínica particular depois do episódio da moça e sua frieza inicial se esvai a toda vez que sua campainha toca. Uma transformação significava acontece em Jenny.
Jenny insistentemente tenta encontrar respostas, inclusive fazendo o papel de detetive melhor do que da própria polícia, e descobre-se depois que a moça era uma imigrante africana menor de idade que se prostituía, o que evidencia os temas sociais que são tão caros aos irmãos Dardenne, como a imigração, a crise econômica, etc.
"A Garota Desconhecida" se arrasta nesta jornada de Jenny repleta de incertezas e mistérios, mas o que no fim das contas Jenny fez foi resgatar o senso de responsabilidade para com o outro, ou seja, um ato humanitário. Uma bela mensagem para abrirem-se as portas.
"A Garota Desconhecida" se arrasta nesta jornada de Jenny repleta de incertezas e mistérios, mas o que no fim das contas Jenny fez foi resgatar o senso de responsabilidade para com o outro, ou seja, um ato humanitário. Uma bela mensagem para abrirem-se as portas.
sábado, 21 de janeiro de 2017
A Vida em um Aquário (Vonarstræti)
"A Vida em um Aquário" (2014) dirigido pelo islandês Baldvin Zophoníasson (Órói - 2010) é um bom drama que carrega várias histórias entrelaçadas, a trama é muito bem construída, porém não há nada que surpreenda, é simples e despretensiosa.
Inspirado em fatos reais na Islândia, descreve três mundos diferentes que colidem violentamente. Mori (Thorstein Bachmann), escritor com problemas com a bebida, Eik (Hera Hilmarsdóttir), uma jovem mãe solteira que trabalha em uma creche e Sölvi (Thorvald David), um ex-jogador de futebol que vê sua vida familiar desmoronar debaixo dele.
Os três protagonistas são interessantes e agregam para a história, Eik trabalha em uma creche, tem uma filha, mas também trabalha como prostituta de luxo para conseguir pagar dívidas, a vemos sempre com um semblante triste e preocupado, Mori é um escritor talentoso com um passado trágico que o atormenta, ele isolou-se e diariamente embebeda-se. Sölvi, depois de largar a profissão de jogador de futebol, se envereda no ramo de investimento bancário, ele é casado e tem uma filha. Ao longo vamos conhecendo-os melhor e em algum momento eles vão se cruzar, trazendo um ar de esperança à trama, especialmente, a relação de amizade que se inicia entre Mori e Eik, um poeta bêbado com uma jovem prostituta, existe uma carência paternal nela e nele um desejo de ser pai, pois Mori perdeu a filha de uma forma trágica, já a relação de Eik com a família é tensa e distante, tudo se explica ao final. Sölvi tem tudo para ser feliz, uma linda mulher, uma filhinha, bens materiais, fama e agora um emprego no banco, mas após saber que precisará viajar para Flórida, uma viagem de luxo num iate cheio de prostitutas e drogas, a relação com a família perde a força e Sölvi começa a repensar sua vida, ele é um ser humano honesto, mas que agora habita em um território permeado de fraudes. Neste meio tempo encontra com Eik que está trabalhando neste iate, entre eles dois a relação não é apenas sexo, há uma troca de afinidades instantânea e que balança a estabilidade de Sölvi.
O filme causa empatia e percebemos o quanto o acaso pode transformar nossas vidas, o encontro entre pessoas e o compartilhamento de sofrimentos que se transformam em instantes únicos e duradouros. Com ótimas interpretações, cenas belíssimas e diálogos marcantes, principalmente entre Mori e Eik, e mais ainda quando recita as suas poesias cheias de encanto, amargura e solidão.
"Estou dilacerado, caído no lado sombrio, na metade do caminho e a alma mergulhada no moleiro. As árvores vertem lágrimas, as pedras sangram, o frio morde as feridas. Mas o vento silva. Talvez o bloco de gelo seja reflexo do meu eu suspenso. Minhas mãos nunca tão vazias, minha língua nunca tão silenciosa. Eu fito ainda através do gelo e o verde está na raiz. E eu olho pra você, esperando o gelo partir."
"A Vida em um Aquário" é fascinante por colocar três personagens com problemas díspares que se colidem e que de alguma forma transformam seus destinos. Retrata a crise econômica, a ganância dos grandes, relações familiares conturbadas, segredos, hipocrisias e dolorosas feridas que precisam ser cicatrizadas para seguir adiante.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
O Monstro de Mil Cabeças (Un Monstruo de Mil Cabezas)
"O Monstro de Mil Cabeças" (2015) dirigido por Rodrigo Plá (Deserto Interior - 2008) é um filme direto que retrata o auge do desespero de uma mulher, que em busca de uma solução para que seu marido tenha tratamento médico adequado, toma uma atitude extrema. Acompanhamos esta história com ares de thriller com muita indignação e empatia, diante de um sistema de saúde precário que pouco valoriza o ser humano esse instinto de violência acaba por surgir, mas que por consciência ou falta de coragem não o fazemos.
Um animal ferido não chora, ele morde. Desesperada em busca do tratamento médico necessário que garantirá o conforto e a dignidade de seu marido – vítima de câncer em estado terminal – Sonia (Jana Raluy) dá início a uma cruzada contra a sua corrupta e negligente companhia de seguro de saúde e seus cúmplices. Ao lado de seu filho (Sebastian Aguirre Boeda), ela embarca em uma espiral vertiginosa de violência e morte. Uma rede de abuso corporativo que vem ultrapassando os limites da América Latina para se tornar um esquema de corrupção global.
É um assunto urgente que é tratado com total crueza, ele é certeiro ao demonstrar todo o descaso, a burocracia e os artifícios usados pelas companhias de seguro no momento em que alguém necessita de ajuda. O marido de Sonia tem câncer e está em estado terminal, mas ela tem esperança e busca um tratamento adequado, então recorre ao seguro que a família paga a mais de 16 anos e pede auxílio, porém a empresa nega por conta de questões burocráticas. É uma saga atrás de médicos e papéis, encurralada e desesperada, pois o tempo não corre a seu favor toma uma decisão drástica junto de seu filho. Vai atrás dos responsáveis e os ameaça com uma arma.
Baseado no livro homônimo de Laura Santullo, somos convidados a assistir toda essa desesperada trajetória, também podemos observar a história sob o olhar de personagens secundários, a câmera é como se fosse o olho destas pessoas, no começo Sonia fica em segundo plano, menosprezada, ela ganha atenção quando toma a atitude de apontar uma arma para aqueles que podem resolver a questão. E enquanto a trama se desenrola ouvimos os depoimentos do futuro julgamento de Sonia.
Baseado no livro homônimo de Laura Santullo, somos convidados a assistir toda essa desesperada trajetória, também podemos observar a história sob o olhar de personagens secundários, a câmera é como se fosse o olho destas pessoas, no começo Sonia fica em segundo plano, menosprezada, ela ganha atenção quando toma a atitude de apontar uma arma para aqueles que podem resolver a questão. E enquanto a trama se desenrola ouvimos os depoimentos do futuro julgamento de Sonia.
A atmosfera é angustiante e gera mal-estar, a protagonista causa empatia e compreende-se a atitude tomada, pois existem milhares de casos de pessoas que pagam plano de saúde e na hora de usá-lo não são atendidas, ou quando são não cobrem ou negam exames e tratamentos, entre tantas outras coisas.
Jana Raluy está maravilhosa em cena, seu semblante de desespero e cansaço é sustentado o filme todo, o filho a segue e por vários momentos exibe medo e percebe que a mãe se tornou obsessiva. Sonia é surpreendida, pois quando vai atrás da assinatura para começar logo o tratamento de seu marido, percebe que existe uma hierarquia de poder suja e fria e que não irá conseguir subir todos os degraus para obter a justiça almejada.
Destaque para a crueza da história e o quão direta é, claramente uma denúncia aos sistemas de saúde que priorizam somente lucro, a câmera nervosa que acompanha os eventos e a interessante inserção do som como complemento intensificando as emoções.
"O Monstro de Mil Cabeças" é extremamente realista, acredito que muitas pessoas diante de uma situação semelhante já pensaram em agir com violência, pois é tanto descaso e desprezo que parece que só gritando ou apontando uma arma é que as coisas poderiam dar certo.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Melhores Álbuns de 2016
Segue a lista dos melhores discos lançados em 2016 segundo o meu gosto pessoal, não sigo efetivamente os lançamentos, mas sempre aguardo com ansiedade os álbuns dos artistas que admiro e, que infelizmente, em sua maioria não se configuram na grande cena musical. Outros, no entanto, estão há longos anos no estrelato e ainda assim permanecem criativos e únicos, nesse ano dois grandes nomes (Bowie e Cohen) se foram, mas se despediram com enorme elegância em registros finais maravilhosos, como demonstrado aqui nesta singela listagem há uma imensa variedade de sonoridades, portanto, também uma ótima oportunidade de conhecer novos artistas e também o de resgatar outros.
*Os números só são uma questão de ordem e não de preferência.
*No final de cada texto deixarei links.
*No final de cada texto deixarei links.
16- Agnes Obel - Citizen of Glass
"Citizen of Glass", terceiro álbum da dinamarquesa Agnes Obel é de um refinamento ímpar, um som minimalista repleto de texturas que trabalha com elementos do trip-folk e pop unidos a referências clássicas, o piano como base se mistura a instrumentos como harpa, violino, violoncelo, marimba e a voz suave de Agnes se eleva limpa e profunda junto a ecos de vozes secundárias. É um obra que tem a aura de um inverno aconchegante cheio de melancolia e doçura. Primoroso! Ouça.
15- Papooz - Green Juice
"Green Juice", álbum de estreia da dupla francesa Papooz, é um som leve, refrescante e ao mesmo tempo sexy, o gênero é intitulado como "tropical garage", uma mistura original entre pop dos anos 60/70 e bossa nova. As vozes andróginas têm uma harmonia incrível e as canções carregam uma junção exótica de ritmos que dão a sensação de um sossego delicioso. Ouça.
14- Imany - The Wrong Kind of War
"The Wrong Kind of War" é o terceiro álbum da francesa Imany, cujo talento é tão lindo quanto ela, sua bela voz rouca transmite força. Este como seus outros trabalhos exibem uma despretensiosidade pouco vista nos dias de hoje, seu som é dotado de simplicidade, letras claras e positivas. Sem dúvidas, um disco para se apreciar pela total naturalidade e espontaneidade. Ouça.
13- Glass Animals - How to be a Human Being
"How to be a Human Being", segundo álbum do Glass Animals, continua a desconstruir o estilo indie do qual faz parte, uma sonoridade peculiar que mescla elementos do hip-hop, R&B, pop e psicodelia com texturas eletrônicas deliciosas e cujas canções celebram experiências humanas das mais variadas. Sedutor e divertido! Ouça.
12- Blues Pills - Lady in Gold
"Lady in Gold" é o segundo disco de estúdio do grupo sueco formado por Elin Larsson (voz), Dorian Sorriaux (guitarra), Zach Anderson (baixo) e André Kvarnström (bateria). O clima psicodélico sessentista continua e de forma ainda mais forte, o som é mergulhado no blues e soul e com certeza para os apreciadores do estilo uma baita banda que resgata essa sonoridade maravilhosa dos anos 60. Ouça.
11- Eric Clapton - I Still Do
Com 50 anos de carreira o lendário Eric Clapton lançou um novo álbum intitulado "I Still Do", uma combinação de duas novas canções e versões clássicas do blues, um trabalho simples e honesto e admiravelmente lindo, Clapton resgata as suas raízes e nos entrega uma declaração de amor à música. Ouça.
10- David Bowie - Blackstar
"Blackstar", o vigésimo quinto álbum de estúdio de David Bowie, foi lançado em 08 de janeiro de 2016, no dia do seu 69º aniversário e dois antes de sua morte. Carregado de uma atmosfera jazzística, melancólica, dolorosa e enigmática, o registro é honesto, criativo, ousado e empático. Um presente de despedida de um artista verdadeiramente talentoso e pungente. Ouça.
09- Leonard Cohen - You Want it Darker
14º álbum de estúdio do cantor e compositor canadense Leonard Cohen, reconhecido pela poesia de suas ótimas letras, neste seu último e tocante trabalho contêm referências religiosas e, principalmente, disserta sobre a sua relação com a morte, um registro íntimo, denso, fúnebre, mas imensamente sereno, um grande presente de despedida de um grande ícone da música mundial. Ouça.
08- Liniker - Remonta
Depois do incrível EP "Cru", eis que o álbum "Remonta" de Liniker e os Caramelows nasce, um dos artistas mais surpreendentes a surgir no cenário musical brasileiro recentemente, o disco flerta com vários gêneros musicais e nos traz um aglomerado de sensações a cada faixa, tecnicamente impecável, autêntico e espontâneo, um frescor maravilhoso. Ouça.
07- L.A Salami - Dancing with Bad Grammar
"Dancing with Bad Grammar", álbum de estreia do músico britânico L.A Salami é permeado pelo folk e o rock, mas ele declara como sendo um blues pós-moderno, mescla elementos do hip hop à guitarra elétrica, suas influências vão de Bob Dylan, Neil Young, Elliott Smith, Joni Mitchell a Alex Turner. O disco exibe canções que dizem sobre as dificuldades do dia a dia e a política coroadas pela sensibilidade e poesia. Ouça.
06- Mohsen Namjoo - Personal Cipher
Considerado o Bob Dylan do Irã, Mohsen Namjoo apresenta seu oitavo disco de estúdio e sexto fora do Irã (Namjoo foi exilado), intitulado "Personal Cipher", é mais uma obra de arte deste artista inovador que une música contemporânea à tradições persas, ele traz a riqueza cultural do seu país juntamente a ritmos ocidentais, como o blues. Há uma gama de estilos e ainda poesias proferidas em meio as músicas, o que garante um tom emocional. Lindo álbum! Ouça.
05- Blubell - Confissões de Camarim
"Confissões de Camarim", quinto álbum da maravilhosa Blubell é simples e suave, traz o jazz, bolero, rock e o pop com um clima leve, facilmente nos transporta para cenários super agradáveis, voz e melodia em perfeita harmonia, a música de Blubell parece pertencer a outra época. Ouça.
04- Charles Bradley - Changes
A história de Charles Bradley é incrível, inspirado por James Brown decidiu viver o sonho da música, porém ocorreram empecilhos e passou por inúmeras dificuldades, só conseguiu se sobressair no meio musical aos 62 anos de idade, "Changes" é seu terceiro álbum, um puro soul com pitadas de funk, profundamente emocional. O álbum traz uma belíssima releitura da clássica canção de Black Sabbath, "Changes", que dá título ao disco. Uma obra de essência! Ouça.
03- Fantastic Negrito - The Last Days of Oakland
"The Last Days of Oakland", projeto de Xavier Dphrepaulezz, é um blues raivoso, uma poderosa mistura de black music, blues, jazz e uma atitude punk. A vida do músico marcada por difíceis e cortantes experiências só o conduziram para a sua fase de agora, como ele mesmo diz, precisou nascer três vezes, suas canções retratam essas vivências e por isso chegam tão intensas e viscerais. Ouça.
02- Rotting Christ - Rituals
"Rituals", 12ª disco da banda Rotting Christ, uma das bandas de black metal mais criativas, traz neste novo trabalho uma sequência impressionante de músicas, a cada faixa um ritual antigo ocultista de diversas civilizações. Incorpora várias vertentes do metal, como atmosférica, doom, folclórica, gótica e industrial ao peso extremo do black metal, o uso dos vocais em alternados timbres é outra característica interessante, a sonoridade é espetacular e faz com que a banda que está na ativa desde os anos 90 continue a soar como nova, algo bem difícil dentro do universo do metal extremo. Destaque para "Les Litanes de Satan" que tem a participação de Michael Locher, vocalista da banda suíça Samael, lendo trechos de "As Flores do Mal", de Charles Baudelaire. Ouça.
05- Blubell - Confissões de Camarim
"Confissões de Camarim", quinto álbum da maravilhosa Blubell é simples e suave, traz o jazz, bolero, rock e o pop com um clima leve, facilmente nos transporta para cenários super agradáveis, voz e melodia em perfeita harmonia, a música de Blubell parece pertencer a outra época. Ouça.
04- Charles Bradley - Changes
A história de Charles Bradley é incrível, inspirado por James Brown decidiu viver o sonho da música, porém ocorreram empecilhos e passou por inúmeras dificuldades, só conseguiu se sobressair no meio musical aos 62 anos de idade, "Changes" é seu terceiro álbum, um puro soul com pitadas de funk, profundamente emocional. O álbum traz uma belíssima releitura da clássica canção de Black Sabbath, "Changes", que dá título ao disco. Uma obra de essência! Ouça.
03- Fantastic Negrito - The Last Days of Oakland
"The Last Days of Oakland", projeto de Xavier Dphrepaulezz, é um blues raivoso, uma poderosa mistura de black music, blues, jazz e uma atitude punk. A vida do músico marcada por difíceis e cortantes experiências só o conduziram para a sua fase de agora, como ele mesmo diz, precisou nascer três vezes, suas canções retratam essas vivências e por isso chegam tão intensas e viscerais. Ouça.
02- Rotting Christ - Rituals
"Rituals", 12ª disco da banda Rotting Christ, uma das bandas de black metal mais criativas, traz neste novo trabalho uma sequência impressionante de músicas, a cada faixa um ritual antigo ocultista de diversas civilizações. Incorpora várias vertentes do metal, como atmosférica, doom, folclórica, gótica e industrial ao peso extremo do black metal, o uso dos vocais em alternados timbres é outra característica interessante, a sonoridade é espetacular e faz com que a banda que está na ativa desde os anos 90 continue a soar como nova, algo bem difícil dentro do universo do metal extremo. Destaque para "Les Litanes de Satan" que tem a participação de Michael Locher, vocalista da banda suíça Samael, lendo trechos de "As Flores do Mal", de Charles Baudelaire. Ouça.
1- Deluxe - Stachelight
"Stachelight", segundo álbum da banda francesa Deluxe é uma experiência satisfatória, uma mistura eletrizante de ritmos, é o pop moderno, um pouco de hip hop, funk, jazz, dance, e a espontaneidade, característica dos músicos de rua (eles originalmente tocavam em praças, estações de metrô na cidade de Aix-en-Provence), são músicos livres e trazem neste disco uma sonoridade inovadora. Ouça.
Outros destaques
"Day Breaks", sexto álbum de estúdio de Norah Jones, neste ela retorna ao jazz de forma magistral, um belo, suave e nostálgico registro. Ouça.
"White Bear", segundo álbum da banda britânica Temperance Movement, traz uma mistura de melodias que resgatam o rock antigo, blues e hard rock no melhor estilo. Ouça.
"Detour", 12º álbum de estúdio de Cyndi Lauper. Dessa vez a cantora optou por homenagear grandes nomes da música country. Ouça.
"Canções Eróticas de Ninar", do octogenário Tom Zé, um dos artistas mais subestimados do Brasil, apresenta seu 28º disco, curioso e instigante trata sobre o sexo. As canções têm um tom divertido ao contar as lembranças e experiências infantis de Tom Zé em Irará, na Bahia. Ouça.
"22, a Million", terceiro álbum de Bon Iver é complexo, profundo e inovador, é uma viagem sonora imersiva, melodias, estilos e instrumentação variados, é uma banda densa e com uma musicalidade ímpar. Ouça.
"Restart", terceiro álbum da portuguesa Aurea, traz uma atmosfera de soul e jazz com um 'bocadinho' de pop, uma ótima artista que se entrega, um disco delicioso e com uma energia mais séria. Ouça.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Eu Sou Sua (Jeg Er Din)
"Eu Sou Sua" (2013) dirigido por Iram Haq é um filme que coloca em foco uma personagem feminina que busca constantemente ser amada e que se permite viver de acordo com a sua vontade apesar de ter uma família religiosa e conservadora. A história é contada de maneira fria justamente para evidenciar essa falta de amor que conduz a vida da protagonista.
Mina (Amrita Acharia) é uma jovem mãe solteira que vive em Oslo e passa parte da semana com Felix, seu filho de seis anos. Ela tem dupla nacionalidade, norueguesa e paquistanesa, e uma relação conturbada com sua família. Mina está constantemente procurando por amor e tem relações com diversos homens, mas nenhum de seus relacionamentos traz qualquer esperança de durar por muito tempo.
O longa disserta sobre escolhas e as suas consequências. Mina escolheu ter uma vida mais liberal independente de sua família tradicional, que a repudia em todos os momentos em que os visita, ela tem um filho de seis anos do qual tem a guarda compartilhada com o ex-marido, mas não fica presa apenas ao papel de mãe, corre atrás de seu sonho que é ser atriz e se apaixona facilmente, porém não cria vínculos devido o tratamento dos homens com quem se relaciona, eles não a levam a sério por se tratar de uma mulher livre. Em dado momento larga sua vida na Noruega para viver uma forte paixão com um roteirista sueco, no início ele encara o fato dela ter um filho e o acolhe em sua casa, mas o relacionamento ganha aspecto de rotina e seu namorado Jesper (Ola Rapace) não quer ter esse tipo de relação. Só que mesmo depois de dizer isso e ela ter ido embora a manuseia como bem quer. Quanta decepção para Mina, ela escolheu trilhar caminhos diferentes, deixando de lado crenças, tradições para viver livremente e buscar a sua felicidade, mas suas tentativas caem sempre na solidão.
O tom do filme é realista e cru, mostra todo o machismo entranhado na sociedade, as cenas em que a família a repudia por não seguir suas regras é de chorar ao ver tanta ignorância, seus encontros casuais com homens também conferem ao longa uma carga dramática, são situações que não agregam, apenas aumentam o vazio. Mina faz suas escolhas sem medo, mas o que volta para ela é incompreensão e desamor. Mina não deseja grandes coisas, ela quer ser respeitada e amada.
O longa disserta sobre escolhas e as suas consequências. Mina escolheu ter uma vida mais liberal independente de sua família tradicional, que a repudia em todos os momentos em que os visita, ela tem um filho de seis anos do qual tem a guarda compartilhada com o ex-marido, mas não fica presa apenas ao papel de mãe, corre atrás de seu sonho que é ser atriz e se apaixona facilmente, porém não cria vínculos devido o tratamento dos homens com quem se relaciona, eles não a levam a sério por se tratar de uma mulher livre. Em dado momento larga sua vida na Noruega para viver uma forte paixão com um roteirista sueco, no início ele encara o fato dela ter um filho e o acolhe em sua casa, mas o relacionamento ganha aspecto de rotina e seu namorado Jesper (Ola Rapace) não quer ter esse tipo de relação. Só que mesmo depois de dizer isso e ela ter ido embora a manuseia como bem quer. Quanta decepção para Mina, ela escolheu trilhar caminhos diferentes, deixando de lado crenças, tradições para viver livremente e buscar a sua felicidade, mas suas tentativas caem sempre na solidão.
O tom do filme é realista e cru, mostra todo o machismo entranhado na sociedade, as cenas em que a família a repudia por não seguir suas regras é de chorar ao ver tanta ignorância, seus encontros casuais com homens também conferem ao longa uma carga dramática, são situações que não agregam, apenas aumentam o vazio. Mina faz suas escolhas sem medo, mas o que volta para ela é incompreensão e desamor. Mina não deseja grandes coisas, ela quer ser respeitada e amada.
O preço que se paga para viver livremente e não de acordo como querem é alto, é saber que essa escolha é um caminhar solitário e geralmente repleto de tentativas falhas, pois existem uma porção de empecilhos, como o longa exemplifica, o machismo, o conservadorismo religioso, os papéis sociais destinados à mulher, é quase impossível ultrapassar essas barreiras. Mina é uma mulher carente que está em busca, qualquer demonstração de afeto a atinge fazendo-a acreditar e depois sofrer as consequências. É o retrato de uma vida excruciante.
Assinar:
Postagens (Atom)
































