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sexta-feira, 22 de março de 2019

13 Filmes Neo-Noir (13 Neo-Noir Movies)

Segue um apanhado de filmes que resgatam elementos que compõem o gênero noir, cunhado em 1946 pelo crítico francês Nino Frank para suspenses com temáticas policiais, ambientação escura e personagens com caráter dúbio, há uma série de características instigantes que o moldam e há uma gama interessante de filmes atuais que referenciam e homenageiam esse clássico gênero. Confira:

13- "Phoenix" (2014) Alemanha
Nelly Lenz (Nina Hoss) é uma sobrevivente do campo de concentração durante a segunda guerra mundial, onde foi deixada terrivelmente desfigurada. Após uma cirurgia de reconstrução facial, Nelly volta à Berlin em busca do seu marido Johnny (Ronald Zehrfeld). Quando ela finalmente o encontra, Johnny não a reconhece. No entanto, ele se aproxima dela com uma proposta.

12- "Aura" (El Aura - 2005) Argentina
Esteban Espinosa (Ricardo Darín) é um taxidermista e um homem tímido, que passa os dias isolado em sua oficina. Por trás das aparências Espinosa tem um grande sonho de poder: planeja praticar o crime perfeito. Ele decide fazer sua primeira viagem às florestas da Patagônia com o objetivo de caçar. Acidentalmente, Espinosa mata um bandido e descobre um esquema milionário de assalto a um carro-forte. Ele resolve então levar o plano adiante por si mesmo, mas para isso precisa antes superar um mal que lhe acomete: a epilepsia.

11- "Alois Nebel" (2011) Rep. Tcheca
Fim dos anos 80 no século XX. Alois Nebel trabalha como expedidor na pequena estação ferroviária de Bílý Potok, uma remota vila na fronteira tcheco-polonesa. Ele é um solitário, que gosta mais de relógios antigos do que de pessoas, e acha tranquila a solidão da estação – exceto quando a névoa invade. Então ele alucina, vê trens dos últimos cem anos passarem pela estação. Eles trazem fantasmas e sombras do tenebroso passado da Europa Central. Alois não consegue se livrar desses pesadelos e acaba indo parar no sanatório.

10- "A Lei da Noite" (Live by Night - 2017) EUA
Boston, década de 1920. Joe Coughlin (Ben Affleck), filho mais novo de um capitão de polícia, se envolve com o crime organizado. Ele aproveita seus dias rodeado de dinheiro e poder, mas suas escolhas podem levá-lo à prisão ou até mesmo à morte. Adaptação do livro escrito por Dennis Lehane.

09- "Estrangulado"/"O Monstro de Martfüi" (A Martfüi Rém - 2016) Hungria


Hungria, 1960. A pequena cidade de Martfüi está sofrendo com os horrores que tomaram conta da região: um assassino sanguinário está à solta tirando a vida de várias pessoas. Obcecado em encontrar o culpado, o detetive designado para o caso está sendo fortemente pressionado pelo promotor a condenar alguém e, isso fará com que um homem que nunca poderia ter cometido tais crimes seja acusado.
Um filme  inspirado em uma história real perturbadora e indigesta sobre um serial killer de uma pequena cidade da Hungria, no período socialista entre 1957 a 1964. A atmosfera sombria e a abordagem crua cria sensações angustiantes e o desenvolvimento por mais que não crie tensão causa mal-estar, pois não esconde a violência e a agonia vivenciada. Saiba+

08- "Carvão Negro, Gelo Fino" (Bai Ri Yan Huo - 2014) China
Em 1999, a descoberta macabra de vários cadáveres é feita em uma pequena cidade. Um incidente sangrento durante a tentativa de capturar o suposto assassino deixa dois policiais mortos e outro gravemente ferido. O oficial sobrevivente, Zhang Zili, é suspenso das suas funções e acaba aceitando um emprego como segurança em uma fábrica. Cinco anos mais tarde, uma outra série de assassinatos misteriosos ocorre. Ajudado por um ex-colega, Zhang decide investigar os crimes por conta própria. Ele descobre que todas as vítimas foram conectadas em vida a Wu Zhizhen, uma jovem que trabalha em uma lavanderia. Fingindo ser um cliente, Zhang começa a observá-la e se acha apaixonando pela reticente Wu. Num dia frio de inverno, ele faz uma descoberta terrível. Com sua vida agora em perigo, ele percebe que nem sempre é possível separar a culpa da inocência.

07- "Dália Negra" (The Black Dahlia - 2006) Alemanha/EUA/França
Elizabeth Short (Mia Kirshner) era uma jovem bonita, que estava determinada em ser famosa e era conhecida como a "Dália Negra". Após seu corpo ser encontrado, torturado e retalhado, em um terreno baldio de Los Angeles, tem início uma busca pelo assassino. Os detetives e ex-boxeadores Lee Blanchard (Aaron Eckhart) e Bucky Bleichert (Josh Hartnett) são encarregados da investigação do caso, mas a obsessão que os dois desenvolvem por ela acaba por arruinar suas vidas.

06- "Animais Noturnos" (Nocturnal Animals - 2016) EUA
Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte que se sente cada vez mais isolada do parceiro (Armie Hammer). Um dia, ela recebe um manuscrito de autoria de Edward (Jake Gylenhaal), seu primeiro marido. Por sua vez, o trágico livro acompanha o personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para tirar férias, mas o passeio toma um rumo violento ao cruzar o caminho de uma gangue. Durante a tensa leitura, Susan pensa sobre as razões de ter recebido o texto, descobre verdades dolorosas sobre si mesma e relembra traumas de seu relacionamento fracassado.
Um thriller intrigante e elegante cuja narrativa nos enreda hipnoticamente, é uma história dentro de outra história, realidade e ficção que se unem e se colidem, uma metalinguagem arrebatadora. Saiba+

05- "In the Shadow" (Ve Stínu - 2012) Eslováquia/Polônia/Rep. Tcheca
Drama criminal de época passado nos anos 50 na antiga Tchecoslováquia, que trata de um pequeno delito que serve de base para se encobrir um plano elaborado com ligações ao regime comunista.

04- "Hotel Império" (2018) Portugal/China
Maria (Margarida Vila-Nova) viveu por toda sua vida no Hotel Império, o negócio de seu pai localizado em uma região tradicional de Macau, porém manter o local funcionando está cada vez mais difícil. Quando Chu (Rhydian  Vaughan), o filho da coproprietária do hotel, retorna à Macau depois de 20 anos em busca de vingança, a situação de Maria fica ainda mais complicada.

03- "O Lugar Onde Tudo Termina" (The Place Beyond the Pines - 2012) EUA
Luke (Ryan Gosling) é um motociclista misterioso, que pilota dentro de globos da morte para um circo itinerante. Quando descobre que sua ex-namorada, Romina (Eva Mendes), teve um filho seu, ele tenta se reaproximar dela. Sua intenção é mostrar-se um pai capaz de sustentar o filho e, para isso, Luke decide participar de uma série de roubos a bancos. O problema é que Luke não consegue reprimir seu lado violento, o que lhe traz problemas não apenas com Romina mas também com Robin (Ben Mendelsohn), seu parceiro de assaltos. Apesar dos vários problemas inesperados que surgem, ainda assim Luke resolve realizar sozinho um assalto a banco. Perseguido pela polícia, ele vira alvo de Avery Cross (Bradley Cooper), um policial que cumpria sua rotina fazendo a ronda diária.

02- "Drive" (2011) EUA
Durante o dia, um misterioso motorista (Ryan Gosling) trabalha como mecânico e dublê automobilista de filmes de Hollywood. À noite, ele se dedica como piloto de fuga para bandidos e mafiosos. Este motorista também é vizinho de Irene (Carey Mulligan), uma garçonete que é casada e tem um filho com Standard Gabriel (Oscar Isaac). Ao aproximar-se da moça e da criança, o motorista começa a criar um forte relacionamento com ambos até a volta de Standard, que acaba de sair da prisão. Percebendo a situação difícil de Standard, o motorista se dispõe a ajudá-lo num assalto que pagaria sua dívida aos criminosos. Só que o golpe dá errado, o que coloca em risco as vidas do motorista, Irene e seu filho. Saiba+

01- "O Abutre" (Nightcrawler - 2014) EUA
Lou Bloom (Jake Gyllenhaal) é um jovem determinado e desesperado por trabalho que descobre o mundo em alta velocidade do jornalismo sensacionalista em Los Angeles. Ao encontrar equipes de filmagem freelances à caça de acidentes, incêndios, assassinatos e outras desgraças, Lou entra no reino perigoso e predatório dos nightcrawlers - as minhocas que só saem da terra à noite.
"O Abutre" é um filme noir moderno, ele traz um assunto que faz parte do cotidiano, pois é só ligar a televisão que veremos notícias de mortes se transformando em histórias escabrosas que são repetidas diversas vezes sem se importar com os familiares e sua dor. O abuso de imagens, tom da voz, comentários desnecessários são artifícios para prender a atenção das pessoas. O filme é uma sátira sobre essa inescrupulosidade. Saiba+

Bônus


"The Looming Storm" (Bao xue jiang zhi - 2017) China

Yu, um guarda de fábrica autoconfiante, acredita ser um detetive e começa a se intrometer em uma investigação de assassinato. As coisas só se tornam mais complicadas neste filme noir chinês que lida com o amor e o destino.

terça-feira, 27 de junho de 2017

A Morte de Luís XIV (La Mort de Louis XIV)

"A Morte de Luís XIV" (2016) dirigido por Albert Serra (O Canto dos Pássaros - 2008) é um filme austero, uma experiência cinematográfica que causa agonia, acompanhamos o findar-se de um nobre e sua impotência diante do inevitável.
Baseado nos escritos do filósofo e economista francês Saint-Simon, observamos o lento fim de um soberano. Agosto de 1715. Após sair para uma caminhada, Louis XIV (Jean-Pierre Léaud) sente uma dor na perna. Nos dias posteriores, o rei mantém seus deveres e obrigações, mas tem o sono turbulento e sofre com uma séria febre. Ele mal come e enfraquece cada vez mais. É o começo da lenta agonia do maior rei da França, cercado por seus parentes e médicos.
O reinado de Luís XIV, considerado o maior Rei da França e autoproclamando como "Rei Sol" teve um dos reinados mais longos na história europeia, entre 1643 e 1715. Foi um dos líderes da crescente centralização de poder na era do absolutismo europeu. Luís XIV escolheu como emblema o sol, pois assim como o astro era considerado forte, belo, brilhante e de poderes ilimitados. Luís XIV gostava de ser contemplado, seus afazeres e intimidades eram públicas, seus súditos assistiam ele acordar, comer, etc. Essa figura tão poderosa e esplendorosa é apagada aos poucos pela narrativa de Albert Serra, um diretor peculiar que sempre trata de assuntos incômodos de um jeito incômodo. Com ritmo lento enaltecendo o tempo e os detalhes é um filme completamente imersivo e que provoca reflexões importantes. A riqueza dos pormenores, a sutileza das ações nos faz realmente viajar no tempo e observar com total crueza o fim do Rei Sol, a câmera capta a fragilidade com excelência, Jean-Pierre Léaud - ícone da nouvelle vague - entrega um personagem denso, contido, meditativo, uma figura altiva contrapondo-se com a vulnerabilidade e amargura. O interessante e o que nos deixa inquietos é a sua falta de expressão, a única coisa que temos certeza é a sua prepotência, mas o que realmente está sendo dito por aquele olhar? 
A sensação claustrofóbica é outro ponto do filme, tudo se passa num único espaço, o quarto, a agonia só cresce, estamos de fato velando-o, cada vez mais a doença do rei se agrava e médico nenhum é capaz de identificá-la e tratá-la, é chamado os melhores da época e recorrem até para métodos alternativos, como elixires, também é colocado como solução amputar, mas logo é descartada pelo rei, a angústia em não conseguir curar o rei atormenta os médicos. O que fica é a frase final: "Senhores, faremos melhor da próxima vez". Há cenas intensas e parece até que se sente o cheiro putrefato, um primor, seja na condução da narrativa, na composição visual, os figurinos, objetos, detalhes que enchem os olhos, como na sua belíssima fotografia, onde se trabalha os efeitos de luz e sombra através da iluminação natural de velas, isso tudo dá uma atmosfera sufocante que incomoda e fascina.

A melancolia que o filme traz também é a de associar o definhamento do Rei ao envelhecimento de Léaud, o eterno Antoine Doinel de "Os Incompreendidos", somos colocados de frente à realidade do tempo e de que a morte é sempre solitária e dolorosa, pesa pensar nela e, principalmente, quando se está próximo o sentimento de "entrega" causa desespero, amargura, e a solidão se torna pungente, o fato é que independente de ser nobre ou não ninguém possui o poder de driblá-la, o filme reflete sobre velhice e finitude, mas, sobretudo, capta os sentimentos e sensações de Luís XIV, um ícone, símbolo de poder absoluto nos momentos que antecedem seu derradeiro fim. 
"A Morte de Luís XIV" é um filme interessante, desconfortável e maravilhoso, porém muito particular, mas certamente marcante.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Olmo e a Gaivota

"Olmo e a Gaivota" (2015) dirigido por Petra Costa (Elena - 2012) e codirigido pela dinamarquesa Lea Glob é um filme metalinguístico de extrema sensibilidade que desmistifica toda a aura mágica em torno da gravidez, acompanhamos a trajetória da protagonista desde a descoberta até o nascimento de seu bebê, os medos, as angústias, as fragilidades, a solidão e as limitações são exploradas de maneira realística, apesar de que os atores Olivia Corsini, que está grávida mesmo, e Serge Nicolai nos confunda em muitos momentos, pois eles são atores de teatro na verdade e aceitaram documentar esse período da vida deles, então não sabemos em qual parte entra a ficção.
O casal se prepara para interpretar a peça "A Gaivota", de Tchekhov que breve sairá em turnê, mas tudo muda quando Olivia descobre estar grávida e que não conseguirá trabalhar por conta de ser uma gravidez de risco, ela precisa repousar e fazer o mínimo de esforço possível. Acontece que Olivia é uma mulher que ama o que faz e durante a fase de recolhimento surge pensamentos dos mais variados sobre esse momento. Ela se vê entediada e sozinha, Serge continua com a sua rotina e não compartilha de fato com os sentimentos vividos por ela. Olivia diz que o presente é dos dois, mas quem carrega é ela, a falta de percepção do homem diante essa realidade, que aliás concretamente não muda nada, são sensações distintas e muitos diálogos exemplificam isso. Em uma cena Serge pergunta para Olivia o que fez no dia, ela explica, talvez as orelhas, o fígado, pois consumiu toda minha energia. É um retrato bem interessante da gravidez, sem floreios ou hipocrisias. Não é agradável ver seu corpo se modificar, se dar conta de que um ser cresce dentro de você e te consome. As dores, as angústias e as limitações impostas. "Sinto que há um Alien dentro de mim, que se nutre de mim e me impõe as regras."
O fato é que esse filme não pende para isso é o certo, ou isso é errado, engravidar ou não engravidar, mas simplesmente mostra o lado real que muitas mulheres não pensam, seja por influências, idealizações ou tradições. 

"Serge sempre diz: 'Não se preocupe porque um filho nos dará muita força'. Sinto culpa porque tenho a impressão de torná-lo a solução para minha incapacidade de solidão. Tenho medo da agressividade que me habita. Do tigre e do dragão dentro de mim. Podem ser os hormônios, mas neste momento, eu os vejo."

"Olmo e a Gaivota" é poesia minimalista que te deixa refletindo sobre a existência e a constante busca pela felicidade e liberdade. Olivia lida com as limitações impostas pela gravidez, o criar raízes (Olmo), que a faz se afastar do teatro, o seu grande amor, e que lhe daria a liberdade (Gaivota) para voar para onde bem quisesse. O filme é feito de camadas múltiplas, uma maneira belíssima de refletir a vida e o como vivemos, somos nós mesmos vivendo de acordo com nossos pensamentos e desejos, ou deixamo-nos levar pelo mesmo caminho de tantos por medo e insegurança devido papéis que a sociedade determina?
Petra Costa compõe uma obra instigante e corajosa, não é fácil colocar em pauta um assunto tradicionalmente fincado na mente das pessoas, a maternidade em dado momento surge como um peso na vida da mulher, chega uma idade em que perguntas do tipo: "e quando você vai engravidar?", "seu relógio biológico não despertou ainda?", são uma constante. Como se fosse uma obrigação e de que a mulher nasceu apenas para gerar. Desconstruir esse pensamento é necessário, porque muitas mulheres se arrependem da maternidade, mas por receio e culpa mentem para si mesmas. Faltava esse olhar sobre a gravidez que, claro, tem as suas belezas, a mulher se redescobre, mas o não falar das coisas ruins deixa a mulher só, tendo que lidar com as angústias sozinha, não há mal nenhum em se lamentar e se sentir esgotada e com inúmeros sentimentos negativos. 

"Olmo e a Gaivota" é uma experiência sensorial original e imprescindível que nos traz lucidez, portanto, para as mulheres que desejam ser mães, para aquelas que já são e para as que não desejam a maternidade, assistam. Aos homens também, pois é uma forma mais real de se entender o que acontece nesse processo biológico.
A sinceridade do longa é linda e mostra que não é fácil lidar com a gravidez, e que a atenção voltada para ela é superficial e fantasiosa. A maternidade simboliza realização para muitas mulheres, há a máxima de que se torna mais completa quando vive-se a experiência, porém é preciso repensar sobre, e principalmente, eliminar a mentalidade clichê e os mitos sobre o tal "instinto materno", de que a mulher nasceu para ser mãe.
O fato é que existe os instantes ruins na gravidez, é um momento delicado e de readaptação a si mesma e a nova vida, as mulheres não precisam se sentir culpadas por isso, falem e exponham esse lado, é um passo para a reflexão e a lucidez.

sábado, 16 de abril de 2016

Achados Musicais

Eis um compilado de achados musicais que tive o prazer de encontrar ao acaso no Youtube, são artistas que não se classificam em gêneros ou estilos únicos, todos fazem uma mistura generosa de muitas e muitas coisas. Aproveitem a lista e descubram a beleza de cada um!

"Quem ouve música, sente a sua solidão de repente povoada." (Robert Browning)

Rhye - EUA
É um duo composto por Mike Milosh (Canadá) e Robin Hannibal (Dinamarca), sim, são homens, apesar de tudo soar feminino, a voz macia e sensual produz essa impressão. O álbum de estreia intitulado "Woman" foi lançado em 2013. É tudo envolto por uma aura enigmática, e justamente por isso se torna intrigante. Confira o álbum "Woman".

Ane Brun - Noruega
Dona de uma voz singular, Ane Brun encanta, especialmente por seus vibratos, é doce mas potente. Já lançou seis álbuns, sendo o mais recente "When I'm Free" (2015), que mergulha num universo trip-hop, como na canção "Directions". Ane Brun tem um poder incontestável em sua voz, as músicas mais intimistas demonstram isso, "Oh Love" e na impressionante versão da música "Halo".

Yael Naim - Israel/França
Yael Naim é uma preciosidade, ela canta em diversos idiomas, toca variados instrumentos e nos embriaga com toda essa musicalidade. Ela ficou conhecida na mídia após sua canção "New Soul" ser exibida no comercial de um Laptop da Apple. Também se destaca por alguns covers, como em "Toxic". Em seu mais recente álbum "Older" (2015), seu som está ainda mais refinado, uma mistura de blues, jazz, folk, sua voz é delicada, vem de mansinho, mas é de total entrega. Um som prazeroso! Confira aqui.

Julien Doré - França
Vencedor da quinta temporada (2007) do programa de televisão Nouvelle Star, Julien Doré é um artista pop, mas que se diferencia dos outros, tem uma personalidade marcante e uma voz suave super charmosa. Tem vários hits e clipes sensacionais, vale conhecer! "Paris-Seychelles", "Kiss Me Forever".

Son Lux - EUA
Ryan Lott, mais conhecido por Son Lux é um artista multitalentoso, sua música nada convencional é chamativa e nos convida a viajar por lugares inimagináveis, a mistura de instrumentos orgânicos e eletrônicos cria uma atmosfera única. A sua voz é frágil, melancólica e penetrante. Um som diferenciado e poderoso! Facilmente se encontra suas músicas em trilhas sonoras de filmes, como "Easy", que está no longa francês "Mon Roi". Confira mais dele: "Change Is Everything", "You Don'tKnow Me", "Lost It To Trying".

My Brightest  Diamond - EUA
My Brightest Diamond é o projeto da cantora, compositora e multi-instrumentista Shara Worden. É um som que vai além, desconstrói, experimenta e liberta. A vocalista é impressionante, tem uma base erudita, assim como toda a parte instrumental da banda. É pop, mas não é! O quinto álbum "This is My Hand" é um trabalho admirável, começando pela primeira faixa "Pressure", que conquista pela interessante musicalidade. "Love Killer" e "This is My Hand" também se destacam. 

Marie Fisker - Dinamarca
Cantora e compositora, Marie Fisker tem um som forte, original e pessoal, é uma mistura de folk, country, rock progressivo, além de pitadas de outros gêneros. São canções simples, mas pontuais regadas a diversas emoções. Sua voz é sensual e intensa. Lançou seu álbum de estreia "Ghost of Love" em 2009. Confira as canções: "My Love, My Honey", "Seven Days".

Glass Animals - Reino Unido
Glass Animals é um quarteto inglês, cujo som passa pelo misterioso e psicodélico, a bela e sexy voz de Dave Bayley hipnotiza, a atmosfera das músicas são intensas, apesar de serem suaves. Com influências de batidas africanas misturada a sintetizadores cria-se um efeito sonoro bem interessante. A banda lançou seu álbum de estreia intitulado "Zaba" em 2014. Confira as faixas "Hazey", "Black Mambo" e "Gooey".

Les Fils du Calvaire - França
Composta pelo talentoso trio Clément, Damien e Jonathan, a banda lançou recentemente seu primeiro álbum "Les Fils de..." O som é algo novo, mistura muitos elementos prevalecendo a música eletrônica, o charme da língua francesa combina perfeitamente com toda a aura sedutora e também divertida, é bonito, gostoso e impossível não se deixar levar pelas batidas que se alternam. Foi lançado um videoclipe erótico e interativo da música "Rester avec Toi". Confira outras faixas, "Gin Fizz", "Qu'est-ce Qu'on est Bien".

The Muddy Brothers - Brasil
Fundada em 2012, o trio de Vila Velha/ES é formado por João Lucas (Voz e Gaita), Will Just (Guitarra e Violão) e Renato Just (Bateria), o som é um blues rock, mas tem diversas influências, entre elas a psicodelia. É fácil lembrar de Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Black Sabbath, mas a banda tem identidade e faz um som clássico de maneira impecável. O álbum de estreia "Handmade" foi lançado em 2013 e agora apresentam o novo trabalho intitulado "Facing the Sky", que foi gravado totalmente independente. Bom demais!

Julia Sarr - Senegal/França
Julia Sarr transcende as linguagens e nos aproxima da essência da música, sua voz suave, porém forte atinge diretamente nossas emoções. Ela já trabalhou com muitos músicos de renome como backing vocal. Sua música mistura jazz, soul e a tradicional música senegalesa. Tem dois álbuns lançados, "Set Luna" (2006) em parceria com Patrice Larose (virtuoso guitarrista de flamenco) e "Daraludul Yow" (2014). Confira as faixas "Adjana", "Doom L'enfant".

As Bahias e a Cozinha Mineira - Brasil
Composto por vocalistas trans, Assussena Assussena e Raquel Virgínia, a banda tem influências de nomes como Gal Costa, Novos Baianos, Amy Winehouse e Ney Matogrosso, o grupo propõe uma discussão acerca do machismo, da misoginia e de qualquer tipo de intolerância. A sonoridade é original e de imensa qualidade, além do timbre maravilhoso das cantoras. Com um trabalho tão lindo e livre certamente irá atingir mais e mais público. O primeiro álbum, "Mulher", foi gravado durante três anos, em meados de 2012 e lançado oficialmente em 2015. 

Jain - França
Jain é multicultural, mistura a música eletrônica com batidas africanas, hip hop, reggae, pop, etc. A fusão é devido ter morado no Congo e Emirados Árabes, ela é cheia de ideias, estilo, está sempre vestida de um modo contrastante. É interessante que mesmo sendo super diferente a sua música se adapta e se absorve facilmente. Lançou seu primeiro álbum chamado "Zanaka" em 2015. Vale muito a pena conhecer!

Y'akoto - Gana/Alemanha
Y'akoto é daquelas artistas que ama a música que faz independente se vai ser sucesso ou não. Suas letras são críticas e diz respeito a toda a humanidade, o conteúdo é universal. Seu som é uma mistura de soul, funk e blues, lembra um pouco Amy Winehouse e Macy Gray. Tem dois discos lançados "Baby Blues" (2012) e "Moody Blues" (2014).

Jibóia - Portugal
Jibóia é o projeto solo do músico Óscar Silva, ele não precisa de muito para produzir as suas delirantes músicas, um órgão, uma bateria e uma guitarra já é o suficiente, sem esquecer de dizer dos inúmeros pedais que usa. O poderoso mix de ritmos e influências exóticas nos deixa em estado de transe. A cantora Ana Miró, conhecida pelo seu projeto solo Sequin colabora com a sua doce e inebriante voz. Já no segundo disco intitulado "Masala", as músicas levam nomes de cidades do mundo todo. Confiras as faixas "Treta Yuga", "Dvapara Yuga" do álbum "Badlav".

Zaza Fournier - França
Zaza Fournier é cantora, compositora e instrumentista, ela caminha pelo pop e a música folclórica francesa. Não tem como não se apaixonar por sua voz e seu estilo peculiar, além de tudo ela está sempre acompanhada pelo seu acordeão. Puro charme! Tem três álbuns lançados "Zaza Fournier" (2008), "Regarde-moi" (2011) e "Le Départ" (2015). Ouça as canções: "Le Départ", "Comptine Pour une Désespérée" e "Vodka Fraise".

Hannah Williams - Reino Unido
Hannah Williams tem uma voz de arrepiar, vem da alma, do amor, do desejo, o som é um soul/funk/blues de primeira, e os músicos sensacionais, qualidade inenarrável. Seu álbum de estreia "A Hill Of Feathers" (2012) recebeu elogios de Sharon Jones e Charles Bradley. É um turbilhão de emoções.

Blubell - Brasil
Cantora e compositora, Blubell nasceu na cidade de São José do Rio Preto, interior do Estado de São Paulo, mas cresceu na capital. Desde 2006 desenvolve seu trabalho autoral. Antes disso, fez parte de bandas independentes. Tem quatro álbuns lançados: "Slow Motion Ballet" (2006), "Eu Sou do Tempo Em Que A Gente Se Telefonava" (2011), "Blubell & Black Tie" (2012) e "Diva é a Mãe" (2013). O som de Blubell é nostálgico, nos remete aos anos 20 ou 50 facilmente, é divertido e também teatral, é uma mistura de blues, jazz e bolero, ela canta, mescla idiomas, sussurra, mas tudo com muita sofisticação. As letras são simples, porém super modernas, há um contraste entre melodia e letra e esse é o charme de Blubell.

Imany - França
Nadia Mladjao, mais conhecida por seu nome artístico Imany, é uma cantora de afro soul. O nome escolhido por ela significa "fé" no dialeto suaíle, falado nas Ilhas Comores. Quando jovem foi uma atleta de salto em altura, tornando-se posteriormente modelo de uma grande agência, e foi nas viagens que despertou seu talento para a música. Lançou seu primeiro álbum em 2011 intitulado "The Shape of a Broken Heart", um registro despretensioso, simples, mas muito gostoso de ouvir. A sua voz rouca é marcante e muito apaixonante, aliás esse álbum é bem romântico. Seu segundo álbum "Sous les Jupes des Filles" lançado em 2014 é também a trilha sonora do filme homônimo de Audrey Dana.

Imelda May - Irlanda
Imelda May mistura jazz, a rebeldia do punk e a animação do rockabilly, uma boa pedida para dar uma agitada. Já dividiu os palcos com nomes como Elton John, The Supremes e Elvis Costello. Ela também compõe e toca um instrumento chamado "Bodhrán", um tambor tipicamente irlandês. Tem quatro álbuns lançados: "No Turning Back" (2005), "Love Tattoo" (2008), "Mayhem" (2010) e "Tribal" (2014).

Noora Noor - Somália/Noruega
Noora Noor é considerada a rainha do soul na Noruega, ela é uma excelente cantora de blues e neo soul, equilibra perfeitamente potência e suavidade, vai de graves a agudos com total naturalidade. Tem três álbuns lançados, sendo o último "Soul Deep" (2009). É realmente um som que te toca na alma.

Liniker - Brasil
Liniker é de Araraquara, interior de São Paulo, um artista nato cheio de amor e poesia, está super em evidência e é uma grande promessa da música brasileira. Suas canções vão do samba a black music e soul com uma roupagem bem moderna, o ritmo swingado e sua voz grave levemente rouca e potente é uma delícia, e a banda Caramelows que o acompanha é simplesmente sensacional. Liniker é autêntico e usa seu corpo de forma política para expressar a liberdade de ser quem se é. Lançou seu EP "Cru" em 2015 e em breve sairá seu álbum de estreia "Remonta". Estamos no aguardo ansiosamente!

Dicas extras:

"Le Ring" é um programa da Deezer (serviço de Streaming de música) apresentado por Aline Afanoukoé, consiste na apresentação de artistas com a missão de superação de si próprios e respeito pelo público. O palco é um ringue e antes de começar o show os convidados se olham no espelho e dizem palavras que vier a mente. É gravado no famoso "La Bellevilloise" e transmitido pelo canal France Ô. São quatro músicas e a interação com o público é incrível. Confira aqui!

Criado em 2009, na Rádio Cultura Brasil, estreou na TV Cultura em 2011 e segue com a missão de mostrar a música brasileira de hoje. Apresentado por Roberta Martinelli, o "Cultura Livre" recebe artistas (cantores ou bandas) no estúdio. Eles tocam suas músicas, falam sobre a carreira e respondem perguntas da audiência. A interação com o público é um destaque da atração. Por meio das redes sociais e de uma chat-line, os telespectadores podem enviar suas perguntas e comentários aos artistas. Confira aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

José e Pilar

"Todos os tempos têm coisas boas, todos os tempos têm coisas más, mas como comunidade a espécie humana é um desastre."

"José e Pilar" (2010) é um documentário dirigido por Miguel Gonçalves Mendes que registra os últimos anos de vida do mestre José Saramago. A partir do registro do dia-a-dia da relação entre José Saramago e a jornalista espanhola Pilar Del Rio, acompanhamos de forma intimista o casal em sua casa nas Ilhas Canárias e em suas viagens pelo mundo. O ponto de partida é o processo de criação e promoção do romance "A Viagem do Elefante", desde o momento da construção da história em 2006 até o lançamento do livro no Brasil em 2008. A ficção do romance reflete no percurso do próprio autor sendo a dura e custosa viagem do elefante um espelho de seus desafios pessoais, entre a doença, o trabalho e o amor por sua esposa.
É um documentário que esbanja amor, respeito e dedicação, Pilar conheceu Saramago em 1986 e desde então ganhou todas as dedicatórias: "O Homem Duplicado" (A Pilar, até ao último instante), "Ensaio sobre a Lucidez" (A Pilar, os dias todos), "As Intermitências da Morte" (A Pilar, minha casa), "As Pequenas Memórias" (A Pilar, que ainda não havia nascido, e tanto tardou a chegar), "A Viagem do Elefante" (A Pilar, que não deixou que eu morresse), "Caim" (A Pilar, como se dissesse água). Acompanhá-los é um imenso privilégio, uma experiência riquíssima, Pilar é uma mulher de fortes opiniões e é uma extensão de Saramago, este que é um ser melancólico e de extrema sensibilidade. Um relacionamento realmente encantador, inspirador e raro. Nada do que Saramago diz é à toa, a cada palavra, pensamento exposto podemos compreender o como ele vê o mundo. 
Sabe-se que Saramago começou a se dedicar à escrita tardiamente, aos 60 anos, e só em 1998 com o prêmio Nobel é que o escritor ganhou uma notoriedade maior e com isso veio viagens, palestras, sessões de autógrafos ao redor do mundo, essas coisas contribuíram imensamente para sua enfermidade. Em um momento em que estava bastante debilitado, Saramago diz: "Se todas as pessoas boas, se todas as pessoas amantes da beleza, se todas as pessoas amantes do justo e do honesto, pudessem reunir esforços e oporem-se contra a barbaridade do mundo, o mundo seria capaz de dignificar o Homem ao Ser Humano que somos. E o mundo, quiçá, poderia ter um futuro."
É de se questionar a rotina corrida do escritor e o como Pilar lidava com isso, "A palavra descanso não faz parte do nosso dicionário vital...Teremos toda a eternidade para descansar. Esta é a vida.", diz a jornalista. Pode parecer prepotência às vezes, mas Saramago apesar de sua avançada idade não desejava se prostrar numa cadeira. E ele enfatizava: "Se eu tivesse morrido antes de conhecer a Pilar tinha morrido muito mais velho do que eu sou". José e Pilar são opostos que se complementavam e que precisavam um do outro, "Eu tenho ideias para romances. Ela tem ideias para a vida. E eu não sei o que é mais importante."

Para além do romance que o documentário retrata, o dia a dia, discussões banais, políticas ou filosóficas, projetos, viagens, o que é mais interessante certamente, principalmente para os leitores é quando Saramago coloca suas ideias em voga.
O tema religião é abordado em alguns momentos e ele disserta que muitos pensam que estando velho ou doente mudou sua concepção de Deus, mas para ele Deus simplesmente não existe, este conceito está cravado na cabeça das pessoas por causa do medo de morrer. Claro, quem quiser acreditar, que acredite, mas a verdade é que nascemos, crescemos e morremos, só isso! "Deus não precisa do homem para nada, exceto para ser Deus. Cada homem que morre é uma morte de Deus. E quando o último homem morrer, Deus não ressuscitará."
Sem dúvidas um apanhado de reflexões surgem, um amontoado de ideias e uma vontade imensa de saber mais e mais sobre esse incrível escritor. Certas partes parecem forçadas, mas é preciso pegar o essencial do filme, os diálogos preciosos e passagens dotadas de muita sensibilidade.

"José e Pilar" traz uma figura sarcástica, polêmica, emblemática e questionadora, um homem capaz de nos inspirar. O romance retratado é deveras lindo e único, dois seres contrastantes que se complementam. A oportunidade de ver o processo criativo do escritor é maravilhoso, sua alma desassossegada, sempre com ideias. Algumas passagens são bem emocionantes, como quando chorou ao lado de Fernando Meirelles ao assistir a adaptação do livro "Ensaio sobre a Cegueira".
É uma bela obra que nos aproxima de Saramago, fazemos parte da rotina, do romance, de tudo, somos atingidos em cheio por essa história.

"Um dia desaparece o sol... e acabou. E o universo nem sequer se dará conta de que nós existimos. O universo não saberá que o Homero escreveu a Ilíada."

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tabu

"Tabu" (2012) tem uma aura mágica, que sem percebermos nos absorve para dentro da trama que narra a história de Aurora. A fotografia em preto e branco só ressalta essa magia. Inicialmente nos é apresentado um prólogo: um explorador que não consegue fugir da dor do amor e uma moça a contemplar um crocodilo melancólico, isso nada mais é do que uma síntese da história que iremos ver na segunda parte do filme.
A primeira parte da história se passa em Lisboa dos dias atuais, "Paraíso Perdido" apresenta Aurora, uma senhora triste, que sofre de ataques depressivos, falida ela lamenta sempre a falta que sua filha lhe faz, a sua única companhia é a empregada cabo-verdiana Santa, que é chamada de feiticeira por Aurora, e sua vizinha Pilar que sempre está a disposição e é muito preocupada com a idosa, que cada vez mais adoece. Pilar é uma mulher bondosa, diariamente reza para que Aurora melhore, mas devido sua condição é internada, então Aurora pede para Pilar ir procurar um homem chamado Gianluca Ventura. Ela o encontra vivendo num asilo, só que Aurora vem a falecer enquanto eles dirigem para encontrá-la no hospital. Após o enterro, Gianluca senta-se com Pilar e Santa para contar sobre o misterioso passado de Aurora. Não há diálogos entre os personagens durante esse segmento, apenas a serena narração em off de Ventura, que revela a paixão proibida que viveu ao lado dela. Aurora herdou do pai uma fazenda em África, ao pé do fictício Monte Tabu. Aurora é uma jovem de temperamento forte, Ventura é um explorador que não se finca por muito tempo em um lugar só, mas quando se depara com aquela mulher, sua razão é deixada de lado. Aurora é casada, mas seu marido vive viajando. Certa vez ele lhe deu de presente um filhote de crocodilo, este que de certa forma uniria Aurora e Ventura. A paixão entre eles se consuma e assim começam a se encontrar mais e mais vezes, quase sem se importarem se caso fossem vistos. O amor deles é proibido, tanto um como o outro sabe que não podem sucumbir a ele, se entregar seria a perdição.
Vale acrescentar a maravilhosa trilha sonora composta por baladas dos anos 50/60 e os ritmos africanos. O roteiro é uma releitura do clássico homônimo de 1931 de Murnau. Ambos se dividem em dois capítulos: "Paraíso" e "Paraíso Perdido", no entanto a produção de Miguel Gomes caminha na direção oposta. O paraíso perdido é a primeira parte onde mostra uma Aurora velha, delirante e que sonha com o crocodilo que presenciou o amor impossível de tempos atrás.


"Tabu" é uma obra perfeita em termos técnicos, nos inebria diante a um cinema de tamanha qualidade. O diretor Miguel Gomes quis se aprofundar em temas como a velhice e a juventude, a solidão e a possibilidade do amor em meio a um mundo de injustiça, como era a colônia. Diante a um mundo onde os brancos eram os donos, ele quis pintar as premissas do que viria, o boom demográfico, a guerra e esta história de amor condenada a fracassar.
"Tabu" é sofisticado, toda sua narrativa é bem estruturada e fascinante, a fotografia, os diálogos e mesmo na segunda parte quando são inexistentes, a trilha sonora, os personagens, tudo é muito delicioso e merecedor de aplausos. Para os amantes de cinema se faz indispensável, uma bela obra portuguesa.
"Pois se a memória dos homens é limitada. Já a do mundo é eterna. E dela ninguém poderá escapar."