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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Vivendo / Living / Zhit

"Zhit" (2012) trata do assunto morte de uma forma fria para quem o assiste, mas mesmo assim é impossível não se colocar no lugar daquelas pessoas, diariamente somos bombardeados com notícias de mortes e perdas irreparáveis para as famílias. E então como lidar com a morte de uma pessoa querida, aquela que está dia após dia ao seu lado, sua companhia, sua alegria, seu porto seguro? A resposta não existe, é só o tempo que cicatriza, apesar de não apagar essa dor, é apenas vivendo, assim como o título sugerem, que as coisas se amenizam e recuperamos uma parte da força que foi-se junto com a pessoa amada.
O filme conta três histórias, todas elas marcadas por perdas. Na primeira, Galya é mãe de duas meninas gêmeas, que por se tornar alcoólatra depois da morte do marido, acabou perdendo a guarda das filhas. Com muita força de vontade ela tenta recuperar as meninas de volta provando que está apta para isso, porém a vida guarda surpresas das quais muitas vezes são inevitáveis, no caminho as duas garotas morrem em um acidente, a mãe por sua vez nega que elas morreram, e essa situação cada vez mais agravante só tende a piorar. É desolador. Na segunda história acompanhamos um menino que subitamente perde o pai do qual não via, sua mãe contou sobre a morte e depois disso começa a fantasiar uma história dentro de sua cabeça. E por fim, vemos um casal jovem, Grishka e Anton, que após se casarem e ao voltar para casa de trem, Anton é assaltado e espancado, a partir desse ocorrido, Grishka começa a se perguntar qual é a diferença em estar viva ou morta naquele momento, pois sem forças, ela parece estar morta também.
O longa russo é deveras muito melancólico e carregado, a atmosfera fria contribui demais para o sentimento de devastação interior. A trilha sonora bate incansavelmente, assim como a dor em cada um dos personagens que não cessa. Não há outra alternativa a não ser viver, não tem como mensurar a dor, explicá-la ou saná-la, só vivendo e esperar que o tempo ajude entender. O luto pode ser sentido de diversas maneiras, ele pode vir em forma de desespero, revolta, tristeza profunda ou negação.
De forma honesta Vasily Sigarev nos coloca de frente a uma situação da qual evitamos pensar, para quem já passou pela dor da perda irá se ver nos personagens. A aceitação é o último estágio do luto e para isso requer tempo.

É um filme imensamente bonito, os atores se entregaram de forma intensa a suas emoções retratando nada mais que a realidade.

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